Disputa no PT ameaça aliança de apoio a Garotinho
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terça-feira, 20 de julho de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 21 (AE) - A disputa entre as correntes internas do PT do Rio, provocada pelas denúncias sobre filiações fraudulentas, ameaça a aliança dos partidos de esquerda que apóiam o governador Anthony Garotinho (PDT). O presidente regional do PDT
Carlos Lupi, disse ontem à tarde que a briga entre os petistas só faz reforçar a tese da candidatura própria dentro do seu partido à sucessão municipal, em 2000. As denúncias de supostas fraudes têm sido dirigidas contra a vice-governadora Benedita da Silva, que quer ser candidata à prefeitura do Rio em aliança com o PDT.
"Não gosto de me meter em problemas dos outros, mas essa disputa só dificulta as negociações em torno de uma candidatura única", afirmou.
Pelas estatísticas de Lupi, cerca 80% dos filiados pedetistas já defendem um nome do partido para disputar as eleições. Na lista de possíveis candidatos, aparecem os deputados Miro Teixeira, Luiz Alfredo Salomão, Vivaldo Barbosa e Cidinha Campos.
Entre os partidos que apóiam Garotinho - além do PDT e do PT
PCB, PSB e PCdoB - o sentimento é de que Benedita sairá desgastada do caso das fraudes qualquer que seja o resultado da comissão nacional de auditoria do PT, que analisa as fichas de filiações suspeitas. "Ela já está fragilizada e será muito difícil sustentar a sua candidatura", afirma um dos dirigentes da coligação.
A idéia que ganha força no PDT fere o acordo fechado ano passado com a direção nacional petista. Por ele, o PT abriu mão de uma chapa própria ao governo do Estado em favor da aliança com então candidato Garotinho.
Em troca, o PDT deveria apoiar a candidatura à prefeitura da senadora Benedita da Silva, hoje vice-governadora.
Para colocar em prática o acordo com o PDT, a direção nacional do PT teve que fazer uma intervenção no diretório regional, que tinha escolhido Vladimir Palmeira como candidato ao governo. Lupi, porém, declara que o acordo não saiu do papel porque Benedita não ganhou a convenção estadual. "Tivemos que ameaçar sair da aliança nacional, que havia lançado Lula presidente, para que eles nos apoiassem", disse.
Fragilizada - O deputado federal Carlos Santana, do grupo petista Opção Popular, que se aliou à Articulação, de Benedita, no apoio à intervenção da direção nacional no caso Palmeira, não esconde, hoje, sua insatisfação com a aliada. Segundo ele, a vice-governadora está "fragilizada".
"Ela vem afirmando que estão fazendo muito barulho por nada (sobre as fraudes nas filiações) apenas para minimizar o assunto", disse. "Quem foi que filiou o Gaguinho?", perguntou
referindo-se a Roberto Marcos dos Santos, pivô do escândalo e expulso do PT há cerca de um mês, que foi levado ao partido pelas mãos de Benedita.
Para Santana, Lupi está "correto" ao declarar que a briga interna do PT fragiliza a aliança. "Hoje, o PT do Rio está esfacelado e seus dirigentes precisam recorrer à direção nacional para investigar problemas éticos pela mais pura incapacidade de resolvê-los", afirmou.
A decisão de submeter as fichas a uma auditoria nacional foi tomada na segunda-feira, no Rio, após cinco horas de reunião. Cerca de 13,5 mil filiações suspeitas foram auditadas por uma comissão regional, mas o próprio diretório municipal alegou incompetência para investigar o caso por causa das pressões das várias correntes do partido. A comissão nacional tem até a próxima semana para dar um parecer final. Até agora, foram impugnadas 1,3 mil filiações.


