Porto Alegre, 05 (AE) - A disputa comercial travada este ano entre os calçadistas do Brasil e da Argentina foi benéfica aos fabricantes nacionais de máquinas para a indústria de sapatos. Por conta da concorrência acirrada pela desvalorização do real, os industriais argentinos investiram em modernização e importaram perto de US$ 600 mil em equipamentos nos seis primeiros meses de 1999, quase 9% acima dos US$ 551 mil registrados em todo o ano passado.
Os dados fazem parte do balanço de exportações apresentado hoje em Novo Hamburgo pela Abrameq, que reúne os fabricantes brasileiros de máquinas para a indústria de calçados e couro. De acordo com o vice-presidente da entidade, Raul Ludwig, as vendas externas totais do setor alcançaram US$ 3,08 milhões de janeiro a junho, ante US$ 3,7 milhões em todo o ano passado.
"Em termos absolutos o valor é pequeno, mas o importante é o percentual de crescimento", disse o empresário. A estimativa da Abrameq é fechar o ano com US$ 5,2 milhões em exportações, 40% acima de 1998. Depois da Argentina, o principal cliente das empresas brasileiras é o México, que importou US$ 431,8 mil em máquinas para as suas indústrias calçadistas no primeiro semestre.
Segundo Ludwig, as vendas externas foram favorecidas pela desvalorização do real - que permitiu às empresas reduzirem preços em dólar - e à melhoria da qualidade do produto brasileiro. O apoio da Agência de Promoção da Exportação (Apex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio também foi importante, disse o dirigente.
O programa, que incluiu o setor de máquinas para a indústria coureiro-calçadista em 1998, prevê investimentos de R$ 10 milhões em quatro anos no fomento às vendas externas. As atividades incluem capacitação profissional e gerencial e apoio à participação em feiras internacionais. O investimento é dividido em partes iguais entre as empresas e o governo. A projeção da Apex para as exportações do segmento neste ano eram de US$ 2,9 milhões, mas já foi superada no primeiro semestre, destacou Ludwig.

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