Brasília, 22 (AE) - O consumidor de medicamentos poderá sair ganhando com uma disputa entre governo e a indústria farmacêutica pela simpatia da opinião pública. Na esteira da CPI dos Medicamentos, o governo planeja, por meio do Ministério da Saúde, lançar um programa para venda de remédios mais baratos a doentes crônicos do Sistema Único de Saúde (SUS). Investigada pela comissão por suspeitas de lucro abusivo, a indústria farmacêutica adiantou-se e apresentou aos parlamentares, na terça-feira, sua sugestão de cesta básica de remédios para o público específico de aposentados do SUS.
O Ministério da Saúde não confirma oficialmente, mas técnicos negociam com laboratórios um outro tipo de política, para oferecer ao usuário em geral do SUS produtos de uso contínuo para o tratamento das 10 doenças crônicas mais comuns, a preços até 30% menores do que os cobrados pelo mercado.
A informação de que o Ministério da Saúde estaria estudando uma espécie de cesta de medicamentos foi confirmada por alguns deputados da CPI, aliados ao governo e da oposição. A diretora técnica da Associação Nacional dos Laboratórios Oficiais (Alanac), Sara Kunter, confirmou que a entidade tem mantido conversas preliminares com o Ministério da Saúde sobre a possibilidade de produção de remédios a custos menores ao consumidor do SUS.
"Não há nada pronto ainda, mas estamos esperando uma convocação do ministério para aprofundar o assunto", informou Sara. Segundo ela, as discussões preliminares começaram há cerca de um mês. O presidente da CPI, deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), já havia adiantado, também, que o governo e a CPI estudavam uma proposta mais ampla do que a apresentada pelo presidente da Associação das Indústrias, José Eduardo Bandeira de Mello.
Hoje comentava-se, na CPI, que a Abifarma havia atropelado os planos do ministro da Saúde, José Serra, ao apresentar antes sua proposta.A associação das indústrias sugere que governo, laboratórios e atacadista subsidiem uma cesta de 55 produtos para aposentados. A sugestão da Abifarma foi criticada de imediato por Marchezan. Para ele e alguns deputados da CPI, a Abifarma criaria um mercado cativo, com subsídio do governo.
A proposta da associação também foi duramente criticada pelo Ministério da Saúde, que chegou a divulgar uma nota com declarações do secretário-executivo, Barjas Negri, ironizando e colocando em dúvida a intenção das indústrias. Segundo Negri, da lista de 55 remédios sugeridos pela Abifarma, 23 seriam mais baratos, hoje, em relação ao preço máximo de venda ao aposentado
proposto pela entidade.
Bandeira de Mello, no entanto, promete insistir na sugestão. Diante da reação de Marchezan, o presidente da Abifarma resolveu procurar outro campo de atuação e entregou, hoje, ao líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), a proposta das indústrias."Vou defender essa proposta onde for, e já recebi, inclusive, convite para falar aos aposentados", disse Bandeira de Mello.

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