Disputa entre quenianos é a principal atração
Nova York, 06 (AE-AP) - Os norte-americanos puseram o patriotismo de lado para dar atenção à batalha que dois quenianos devem travar na 30.ª Maratona de Nova York, neste domingo. A dupla africana já se encontrou no ano passado e volta agora para tentar fazer história na prova. John Kagwe, de 30 anos, campeão de 1998, parte em busca da terceira vitória consecutiva, igualando-se aos grandes vencedores da competição. Joseph Chebet, que chegou três segundos depois de Kagwe, quer a revanche que o fará quebrar um tabu de 17 anos, com a vitória, na mesma temporada, na Maratona de Boston e na de Nova York.
Apenas três atletas - Grete Waitz, Bill Rodgers e Alberto Salazar - conseguiram vencer a maratona três vezes. Salazar foi o único a conseguir o feito em anos seguidos (80, 81 e 82), mas pode ser igualado por Kagwe. Num inglês precário, o maratonista conseguiu explicar seus sentimentos sobre a possibilidade de entrar para a história. "Suficiente, agora."
Mais relaxado, o queniano afirmou que não se considera imbatível, apesar de ter vencido a prova no ano passado - com seu segundo melhor tempo - depois de duas paradas para amarrar os tênis. "Não estou procurando ser super, somente ganhar a maratona", disse Kagwe, que atualmente vive nos Estados Unidos. "Estou bem preparado e a competição é muito dura." A expectativa dos organizadores é de que 33 mil pessoas participem da prova.
Mudança - Chebet admite que vai mudar de estratégia este ano para conseguir a vitória. Na quinta-feira, disse que seus "planos são correr rapidamente no início do Central Park e nos cinco quilômetros seguintes". Segundo o maratonista, a parte mais difícil da prova é o último quilômetro porque o atleta deve ter "um tiro forte".
Se ainda não conseguiu superar Kagwe em Nova York, pelo menos pode dizer que teve a satisfação de derrotá-lo este ano, em Boston. Chebet foi o vencedor e seu compatriota chegou em quarto lugar. Isso, no entanto, não intimida Kagwe. "Não sei o que eles estão cozinhando nem eles sabem o que estou cozinhando - vamos ver somente no pódio."
Feminino - Entre as mulheres, o favoritismo é da italiana Franca Fiacconi, que ganhou em 98. A maratonista, no entanto, terá de superar mais do que as adversárias, pois quebrou braço em agosto e só voltou a treinar há dez dias para competir em Nova York. O problema, segundo ela, ainda afeta seus movimentos. "Mas minha natureza é otimista e espero superar as dificuldades da situação", diz a atleta, de 34 anos.
A principal adversária da italiana é a mexicana Adriana Fernandes, de 28 anos, vice em 98. Ela vem embalada por um importante segundo lugar na Maratona de Londres, em abril. "Tudo o que sei é que estou na minha melhor forma e pronta para a corrida", afirma. "Meu estilo de competir é o inteligente, que se adapta às características da prova."
Brasil - Apenas dois competidores brasileiros estão inscritos no pelotão de elite da Maratona de Nova York: Luiz Carlos da Silva, o Atalaia, e Márcia Narloch. Atalaia foi terceiro na Maratona de Houston, este ano, enquanto Márcia foi a vencedora da Maratona de São Paulo de 99.
O Brasil terá, ao todo, 600 representantes de várias partes do País, a quarta maior delegação estrangeira depois de França, Itália e Holanda. Um dos maiores grupos é formado por cem funcionários do Pão de Açúcar Club, que treinaram durante um ano e contam com infra-estrutura (nutricionistas, preparadores físicos, médicos e técnicos).
Marcos Paulo Reis, técnico da seleção brasileira de triatlo, comandará uma equipe de 65 atletas, todos seus alunos. Outra brasileira que ganhou destaque é a paulistana Ana Luiza Garcez. Ex-viciada em drogas e ex-sem-teto, ela conseguiu recuperar-se por meio do atletismo, vencendo várias provas no Brasil.





