Brasília, 07 (AE) - Os presidentes da República, Fernando Henrique Cardoso, e do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), estão afastando-se por causa da disputa por espaço político entre o Legislativo e o Executivo. Nos últimos dez dias, ACM pôs em discussão dois temas que há anos incomodam o Congresso: a falta de limites para edição de medidas provisórias (MPs) e o absoluto controle do governo federal sobre a execução orçamentária.
O senador baiano é o principal defensor da emenda constitucional que restringe a edição de MPs e anunciou que irá propor um projeto que torna o Orçamento mandatário.
"É evidente que há uma briga de poderes", afirmou o vice-presidente da Câmara, Heráclito Fortes (PFL-PI), bastante próximo a ACM.
Segundo Fortes, "o Congresso , não é de hoje, está numa luta para recuperar o espaço perdido ao longo do tempo". O parlamentar inseriu esta disputa como o último capítulo do processo de abertura política. "Estamos chegando ao final do gargalo do processo de democratização", disse.
Fortes ressaltou, contudo, que o afastamento de ACM não está dentro de uma estratégia para levar o PFL a uma posição de independência do governo federal. "Quem comprar ações na bolsa de apostas políticas nesta direção fará um negócio tão bom quanto àqueles que investiram na Iridium", disse, referindo-se à empresa que lançou no mercado um tipo de telefone que teve baixa aceitação do público.
Aliado de ACM na política baiana, o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), reconheceu o clima desfavorável
mas desdenhou da possibilidade de o governo federal viver um tempo de dificuldades no Congresso. "Divergências eu vivo tendo com a minha mulher, e não é por isso que eu me separo dela", afirmou.
Por outros motivos, a relação entre os parlamentares peemedebistas e o governo federal também sofreu abalos. O presidente Fernando Henrique Cardoso não estimulou a tramitação das reformas tributária e do Judiciário, duas prioridades da gestão do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Também a perda da pasta da Justiça na reforma ministerial de julho ainda não foi absorvida.