São Paulo, 24 (AE) - A disputa comercial entre a Embraer e a canadense Bombardier, que se arrasta desde meados do ano passado no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), extraplou os limites das duas empresas e agora envolve interesses políticos do Brasil e do Canadá. "A briga não vai ser resolvida sob aspectos legais. A questão é, agora, de natureza política", disse o presidente da Embraer, Maurício Botelho, em teleconferência hoje para mais de 35 jornalistas brasileiros e estrangeiros.
Botelho mostrou-se profundamente irritado com as declarações da Bombardier e do governo canadense, que ameaçaram o Brasil de rataliações comercias, quantificando, inclusive, valores considerados "estapafúrdios" pelo presidente da Embraer. O Canadá quer que o governo brasileiro remova os recursos do Proex (Programa de Financiamento às Exportações) de 900 aviões que foram vendidos, mas ainda não entregues, desde que a OMC considerou ilegal a taxa de equalização de juros, em março deste ano. A retaliaçao somaria US$ 6,7 bilhões.
O Brasil argumenta que a decisão do àrgão de Solução de Controvérsias de OMC se aplica a contratos futuros e não a passados ou presentes (até o dia 18 de novembro). "Os contratos assinados com nossos clientes, com a taxa de equalização anterior à das mudanças ocorridas no Proex, serão cumpridos pelo governo brasileiro e pela Embraer", afirmou Botelho. O executivo lembrou que, até agora, a moratória decretada em 1987 pelo Brasil continua afetando os negócios e a credibildade do País no Exterior. "Não cumprir com nossos compromissos externos é e será inaceitável", disse.
Botelho acredita que o Itamarty, responsável pela defesa da Embraer na OMC, saberá mostrar determinação para defender os interesses do Brasil. "Tenho certeza que o Canadá receberá retaliações equivalentes àquelas que está ameaçando, caso elas venham a ser concretizadas", afirmou o presidente da companhia.
Indagado sobre as razões de a briga comercial entre a Embraer e a Bombardier ter se transformado em uma das maiores da história da OMC, Botelho não hesitou em afirmar que a companhia canadense "tem pretensões imperiais" e de querer manter uma "posição monopolista" em um mercado de mais de US$ 150 bilhões nos próximos dez anos em jatos regionais de até 100 lugares. "O problema é que o governo canadense dá um apoio fortíssimo a essa companhia. Mas, se depender de mim, a briga vai continuar", acrescentou. Para Botelho, a competição tem de ser por meio de produtos de qualidade e de financiamentos atraentes. Mas o que tem dominado até agora são aspectos relacionados à forma e não ao conteúdo dos produtos.

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