Disputa entre aliados facilitou criação de CPI
Brasília, 14 (AE) - A criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro foi mais um lance na disputa por espaço político entre os partidos da base de sustentação do presidente Fernando Henrique Cardoso, que continuam brigando por cargos no Executivo e já estão se preparando para as eleições de 2002. A comissão só foi instalada hoje, contrariando interesses do governo, porque não houve condições políticas para o seu arquivamento.
Atento aos passos do PFL, que pediu a instalação de uma CPI para investigar supostas irregularidades cometidas pelo Poder Judiciário alegando ser uma demanda da sociedade, o PMDB revidou com a CPI do Sistema Financeiro, condicionando o apoio de sua bancada - a maior no Senado - à investigação de supostas irregularidades registradas no mercado financeiro durante a desvalorização do real. E foi assim que o partido do senador Jáder Barbalho (PA) encampou denúncias formalizadas pelo deputado Aloizio Mercadante (PT-SP) com o apoio da oposição, a que a bancada governista no Congresso preferiu ignorar.
Até a semana passada, o Palácio do Planalto tentava esvaziar a CPI dos bancos, estratégia quase vencedora, com a indicação de parlamentares fiéis ao governo e obedientes aos caciques governistas para a sua composição. O presidente e o relator da CPI são senadores do grupo do ex-presidente José Sarney (PMDB-MA). A base aliada também conseguiu abortar a criação de uma CPI mista, articulada por deputados do bloco de oposição na Câmara e também a instalação de uma CPI só da Câmara.
A manobra do Planalto, contudo, caiu por terra no final de semana com a veiculação de denúncia de um suposto pagamento de propina a funcionários do Banco Central pelo ex-controlador do banco Marka, Salvatore Cacciola, em troca de informações privilegiadas durante a desvalorização do real. É o primeiro e mais rumoroso caso a ser investigado pela CPI do Sistema Financeiro.





