Disputa em assentamentos termina em prisões
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sexta-feira, 13 de setembro de 2002
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - A Polícia Militar prendeu 24 pessoas, entre elas duas mulheres e dois adolescentes, dos assentamentos Sebastião Camargo Filho e Santo Angelo, de Marilena (79 km de Paranavaí). As prisões ocorreram no final da tarde de ontem, depois de um conflito entre dissidentes e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os presos são acusados pelo crime de cárcere privado, porque teriam mantido amarrados em uma barraca cinco integrantes do MST.
Segundo o major Marcos Castro Palmas, do 8º Batalhão da PM de Paranavaí, a polícia foi chamada porque um grupo de 50 pessoas, utilizando um ônibus, um caminhão e um veículo, do MST de Terra Rica (57 km de Paranavaí) teriam invadido os dois assentamentos. Nos dois locais vivem 78 famílias, e somente oito ainda estariam mantendo vínculo com o MST. Os demais se recusam a pagar contribuição ao movimento. O major disse que já há algum tempo, por causa desta situação, começou a existir um clima de animosidade entre as famílias dos assentados.
Lideranças do MST na região afirmaram ontem que o conflito ocorreu porque um grupo dos dois assentamentos estaria promovendo a venda de lotes. O movimento denunciou o caso para o Incra, mas a falta de soluções teria levado lideranças a retomar as terras.
A PM informou que, por causa do conflito, realizou uma busca nos dois assentamentos e localizou, no de Santo Angelo, seis armas, e no de Sebastião Camargo Filho, sete espingardas, quatro revólveres e uma garrucha, além de seis coquetéis molotov (bombas caseiras).
Os presos foram levados para a Delegacia de Nova Londrina (100 km de Paranavaí). Segundo a Polícia Civil, nem todas as pessoas presas são assentadas. Alguns apenas estavam no local apoiando famílias dos assentamentos. Os presos são acusados de cárcere privado. No final da tarde de ontem, os dois adolescentes foram liberados.
O superintendente do Incra no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, confirmou ontem a venda ilegal de lotes dos assentamentos e que há muito tempo participa de reuniões com autoridades de Marilena na tentativa de compor uma reintegração amigável dos lotes. Vieira afirmou que na próxima segunda-feira recebe um relatório completo dos dois assentamentos e que se for o caso vai pedir o uso da força policial no processo de reintegração.


