São Paulo, 18 (AE) - A disputa pelo mercado de eletroportáteis no Dia da Mães e no inverno de 2000 promete ser mais a acirrada dos últimos anos. A retomada das compras pelo consumidor, os juros menores do crediário e a entrada de novos competidores mundiais nesse segmento são ingredientes que indicam um cenário de maior concorrência, reproduzindo no Brasil a disputa que já ocorre nos mercados internacionais.
A multinacional italiana DeLonghi, que acaba de retornar ao País depois de dois anos fora do mercado, quer vender 10 mil cafeteiras entre o Dia das Mães e os meses de inverno. A companhia também pretende colocar no mercado 50 mil aquecedores a óleo em 2000, e ter 20% das vendas de aquecedores elétricos, diz o diretor de Marketing e Vendas, Américo Simão.
Analistas de mercado consideram que os números são ambiciosos. Tanto que, de acordo com a Eletros, associação que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, as vendas de cafeteiras somaram 574,4 mil unidades em 99, com queda de 22% na comparação com o ano anterior. Os aquecedores nem constam nas estatísticas da entidade, o que reflete, em parte, o incipiente mercado.
"O mercado em 99 vendeu cerca de 600 mil cafeteiras e a meta da DeLongui não chega a assustar", diz Ricardo Adams, diretor de Marketing e Produtos da Walita, divisão de eletroportáteis da multinacional holandesa Philips. A empresa divide o mercado nacional de eletroportáteis com as multinacionais francesas Arno/Seb e Moulinex/Mallory, que compraram empresas brasileiras em 96 e 98, respectivamente.
Para atender a demanda por ocasião do Dia das Mães, a Walita informa que já vendeu para as lojas mais de 35 mil unidades do mês passado até agora, somando todos os eletroportáteis que fabrica.
A Moulinex informa que a meta é vender 70 mil cafeteiras durante este ano inteiro para os mercados interno e externo. No caso dos aquecedores, que levam a marca Mallory, a empresa ainda não tem uma estimativa fechada de vendas para este inverno. Procurada pelo Estado, a diretoria da Arno/Seb não foi localizada.
De acordo com Simão, a DeLongui tem planos arrojados vai dar trabalho para os concorrentes. A empresa, que tem um sócio brasileiro, o empresário Nildo Masini, está investindo R$ 10 milhões na construção de uma fábrica no País. A expectativa é faturar, num prazo de cinco anos, R$ 50 milhões. O local da unidade, que deve começar a funcionar no ano que vem ainda não está definido. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1

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