Disputa de traficantes foi a causa da chacina que deixou oito mortos
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 03 (AE) - A disputa pelo ponto-de-venda de crack e cocaína na Favela Paraguai, em Vila Carioca, zona sul de São Paulo foi, segundo a polícia, o motivo da execução de oito pessoas - sete homens e uma mulher - no fim da noite de ontem (02), na maior chacina do ano em São Paulo. Oito homens vestindo roupas de náilon azul e gorros de motoqueiro, a mando do traficante apelidado de Carioca, chefe do tráfico na Favela Heliópolis, deram mais de cem tiros de calibres 380, 9 milímetros, 45 e 12 nas pessoas que encontraram.
O objetivo dos criminosos era matar o traficante conhecido por Barriga, acusado de controlar o tráfico na Favela Paraguai e que fugiu da favela. Entre os mortos, o pai de Barriga, José João de Souza, de 53 anos, também traficante e o único com antecedentes criminais. Duas pessoas sobreviveram.
Morreram Uildo Domingos da Silva, de 30 anos, Ester Pereira de Melo, de 38, Davi Caires Ribeiro dos Santos, de 18, Edvaldo Evangelista dos Santos, de 33, Josivaldo dos Santos Barreto, de 26, José João de Souza, de 53, Paulo Sérgio Viana Lopes, de 30. Estão internados Antonio Reis de Carvalho, de 27, e Marcelo Pessoa de Melo, de 12.
Foi a 79.ª chacina registrada este ano na Grande São Paulo, com 274 mortos. A capital registrou 40 execuções . O delegado Sebastião Celso dos Santos, do distrito policial de Vila Alpina, que registrou o crime, disse que sete dos mortos não tinham envolvimento com o crime ou drogas. "Eram inocentes e foram mortos porque estavam no lugar errado, na hora errada."
No local onde as pessoas morreram, funcionava um ponto-de-venda de drogas. "Mas as vítimas estavam conversando e não compravam nada", adiantou o delegado. O barraco fica no fim de um beco. Segundo testemunhas, os assassinos desceram de um carro, na entrada da favela, e caminharam até o barraco do pai de Barriga. A poucos metros passaram a atirar nas pessoas que encontravam.
"Deram muitos tiros, foi tanta bala que achei que tinham matado a metade da favela", contou o faxineiro Severino dos Santos, pernambucano de Afogados do Ingazeira, que se mudou hoje. Ele afirmou que estava indo para a casa de um cunhado. "Lá, a gente vai se apertar, mas vou sair deste inferno que é a favela e das ameaças constantes dos traficantes e ladrões."
Ponto - O traficante Carioca há tempos vem tentando conquistar à força os pontos das Favelas Paraguai, Circo Escola e Vila Prudente. Uma fica próxima da outra. "Pelo que soubemos, o traficante Barriga vem resistindo e enfrentou os homens de Carioca, que na semana passada dispararam na direção da Favela Paraguai", contou o delegado.


