Disputa de facções em GO mata 84 em nove meses
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segunda-feira, 02 de outubro de 2017
Marília Assunção<br>Agência Estado 
Goiânia - As polícias de Goiás acreditam que pelo menos 84 pessoas tenham sido assassinadas desde o início de 2017 no Estado em razão da disputa entre as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho). Uma lista de 18 pessoas marcadas para morrer foi descoberta pela Secretaria de Segurança Pública goiana, cujas polícias prenderam 22 suspeitos de envolvimento com esses crimes nos últimos 20 dias.
No centro da disputa, dívidas e o controle pelo tráfico de drogas em áreas da Grande Goiânia, que teve 20% de alta no total de homicídios no último trimestre. Segundo as investigações, a maioria dos mortos tinha envolvimento, disputa ou dívidas com o tráfico e foi alvo de muitos tiros, como demonstração de força e vingança.
Dados da secretaria revelam que, de abril a agosto de 2017, foram 216 homicídios em Goiânia, 39 casos a mais do que no ano anterior, quando no mesmo período foram registrados 177 homicídios. O pico foi em abril, com 59 homicídios em Goiânia, contra 37 do mês de abril do ano passado.
No acumulado de 2017, foram registrados em Goiânia 323 homicídios ante 303 do mesmo período do ano passado. Segundo a DIH (Delegacia de Investigação de Homicídios), do total deste ano, 84 foram decorrentes da briga entre o CV, facção nascida no Rio e PCC, criada em presídios paulistas, "sendo que 95% foram ações do Comando em desfavor do PCC", informou.
As ordens de matar teriam partido de chefes do tráfico presos na POG (Penitenciária Odenir Guimarães), em Aparecida de Goiânia. Um dos mandantes, segundo o delegado Danilo Proto, adjunto da DIH, é o traficante Kaio César Pereira, que seria o chefe do braço goiano do CV. Ele cumpre pena por tráfico e homicídios no POG e o Estado espera a transferência dele para um presídio federal de segurança máxima. Com, isso, a estratégia é limitar seu poder de comando.


