Um dos maiores problemas que o País enfrenta são as disparidades regionais e, mesmo nos Estados mais ricos, como São Paulo, milhões de crianças ainda vivem expostas a carências básicas e esgotos correndo em ruas de terra, montes de lixo acumulados, reclamações de ratos dentro das casas.
Segundo a Fundação Nacional de Saúde, no período de 1995 a 1999, o total de internações hospitalares relacionadas à deficiência de saneamento básico chegou a 3,4 milhões - um sinal de que o problema reflete-se diretamente em dezenas de doenças. Em 1998, apenas 32,8% das famílias com menos de meio salário mínimo tinham acesso ao serviço. Entre as que recebiam de meio a um, esse número subia para 48,7%. Na faixa de mais de 5 salários, 80% dispunham do direito.
‘‘Falta de saneamento e de água potável é igual a diarréia, que pode matar por desidratação’’, alerta a presidente do Departamento de Cuidados Primários de Saúde da Sociedade Brasileira de Pediatria, Anamaria Cavalcante e Silva. ‘‘É fácil ver nas curvas de peso: a criança toma leite em pó diluído em água contaminada, vive num ambiente onde insetos pousam no bico da mamadeira, fica doente e emagrece.’’
Como saneamento exige recursos e disposição política, lembra a médica, o que se faz emergencialmente é tentar evitar que a criança morra, utilizando o soro caseiro, com água, sal e açúcar. ‘‘As doenças diarréicas são uma das que mais fazem as pessoas procurarem o serviço de saúde. Em vez de pagar hospitais, deveriam usar o dinheiro para fazer saneamento, mas essas são obras que se enterra e você não bota placa.’’
A reportagem procurou o Ministério da Saúde e a Funasa por vários dias para comentar o não-cumprimento das metas, mas o responsável não foi encontrado. (L.G.)

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