Rio - A Sociedade Brasileira de Nefrologia encaminhou ontem dossiê ao Ministério da Saúde apontando problemas enfrentados pelos pacientes renais crônicos no País. De acordo com o documento, mais de 2 milhões de brasileiros são portadores de algum grau de disfunção renal, mas 70% deles desconhecem o diagnóstico. Entre as falhas indicadas no parecer estão baixo índice de diagnóstico precoce, número insuficiente de clínicas de hemodiálise e baixa remuneração dos procedimentos médicos.
''Estamos fazendo uma campanha de esclarecimento da doença renal crônica, que é silenciosa e costuma ser descoberta tardiamente. Queremos que o governo capacite os médicos da atenção primária para que peçam exames simples, como a dosagem de creatinina no sangue, ou a pesquisa de proteína no exame de urina. Procedimentos simples como esses ajudam a fazer o diagnóstico precoce'', afirmou o presidente da SBN, Jocemir Lugon.
O documento encaminhado ao MS, assinado também pela Sociedade Brasileira de Enfermagem em Nefrologia, Associação Brasileira de Clínica de Diálise e Transplante e por associações de pacientes renais, informa por exemplo que 383 pessoas, em um milhão de brasileiros, são dependentes de diálise. Essa taxa é quatro vezes menor que as dos Estados Unidos e Japão.
''O baixo índice de diagnóstico, o acesso limitado à terapia renal substitutiva (diálise e transplante) e principalmente a alta taxa de mortalidade dos pacientes diabéticos e hipertensos ainda nas fases pré-dialíticas explicam essa baixa prevalência'', informa o dossiê.
Apesar de o número de pacientes em diálise ser considerado baixo, a parcela da população que depende desse tratamento cresce entre 5% e 7% ao ano. O documento alerta que em 2.010 haverá 100 mil pacientes em diálise - hoje são 70 mil. O número de clínicas especializadas e de nefrologistas não tem acompanhado o aumento. ''É preciso dedicar mais recursos para esse setor da saúde. O Brasil cobra impostos como os países desenvolvidos, mas a fração desse imposto repassado à saúde não é de primeiro mundo'', afirmou Lugon. O dossiê foi divulgado na véspera da abertura do Congresso Internacional de Nefrologia, que termina dia 25, no Riocentro.

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