A cada ano, um milhão e 35 mil novos casos de impotência surgem no Brasil. A projeção é resultado de um estudo realizado pelo epidemiologista baiano Edson Moreira, que distribuiu questionários para mais de 700 homens em 1997 e em 2000 e comparou os resultados. Hoje, há no mundo 160 milhões de impotentes. E apenas 5% desses homens chegam aos consultórios médicos para tratar-se do problema.
No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a disfunção erétil (DE) um problema de sa© úde pública. A cada segundo, seis pílulas de Viagra, do laboratório Pfizer, são comercializadas no planeta. Até novembro do ano passado, eram quatro por segundo. O Brasil movimenta US$ 40 milhões anuais em Viagra e, segundo o fabricante, é o quarto mercado, ficando atrás apenas dos EUA, do Reino Unido e do Japão, nesta ordem. No mundo, as vendas alcançaram US$ 1,2 bilhão em 2000, número que deve crescer 40% em 2001, nas contas da Pfizer.
O mercado da impotência ainda tem mesmo muito o que crescer. Num artigo publicado há cinco anos, o urologista Luiz Otávio Torres, que coordena o 6º Congresso Latino-Americano sobre Impotência, mostrava que o brasileiro que começa a sofrer de DE leva, em média, três anos e meio até consultar um especialista. ‘‘Isso é um absurdo’’, exclama o médico. Uma das razões que ele aponta é a cultura machista latino-americana e a ignorância quanto aos tratamentos existentes e, até mesmo, sobre a existência de especialistas.
No congresso foram apresentadas três novas drogas, que ainda devem demorar um pouco para entrar no mercado e começar a incomodar o reinado do Viagra. O Uprima, do laboratório Abbott, é o único já aprovado na Comunidade Européia e é comercializado na Holanda. O Cialis, da Lilly, deve ser submetido ao Food and Drug Administration norte-americano no segundo semestre e o Vardenafil, da Bayer, ainda em fase de testes, não tem sequer nome comercial definido e só deve ser vendido no mercado mundial no fim de 2002.

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