São Paulo- A dificuldade de ereção é um problema que pode extrapolar os limites da cama e refletir no dia-a-dia do casal. Um levantamento do Instituto de Pesquisas Datafolha, feito no ano passado, avaliou o impacto dessa dificuldade e os resultados motivaram o lançamento da campanha de conscientização sexual ''Sem Drama na Kama'', desenvolvida pelo Projeto Amar Bem, com apoio do laboratório farmacêutico Lilly.
Realizada entre junho e agosto de 2005, a pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas (51% homens) em cinco capitais - São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre e Goiânia. Foram ouvidos homens com idade entre 30 e 65 anos, com algum grau de disfunção erétil, e com parceiras fixas. As mulheres ouvidas também tinham parceiros fixos com dificuldade de ereção, usuários e não usuários de medicamentos para tratar o problema.
O objetivo da pesquisa, além de avaliar como a dificuldade afeta os relacionamentos, foi entender o comportamento do casal frente a situação e o nível de influência da mulher na opção ou não por um tratamento.
A pesquisa do Instituto Datafolha constatou que o problema se reflete principalmente na auto-estima (55%), no relacionamento com a parceira (23%), na área profissional (14%) ou em todos esses aspectos. ''A sexualidade é vivida a dois, e a dificuldade de ereção afeta a vida como um todo, com afastamento gradual e constante do casal, frieza afetiva, falta de companheirismo. A mulher não se sente mais desejada e o homem não se sente mais capaz'', explica o médico psiquiatra Moacir Costa, especialista em sexualidade e coordenador do Projeto Amar Bem.
Segundo Costa, já é dado comprovado que metade da população mundial tem disfunção erétil, seja de forma leve (em que o homem ''falha'' de vez em quando), moderada ou severa. O problema, de acordo com o médico, pode atingir homens de qualquer idade. A causa é normalmente emocional para aqueles com até 40 anos de idade, e orgânica para os com mais de 40, que podem ter o problema agravado por conta de algumas doenças, como a pressão alta e diabetes, e o uso de medicamentos para tratá-las.
Dados do levantamento mostram que os homens realmente têm dificuldade em assumir o problema, já que 59% deles afirmaram não conversar com seu médico sobre o desempenho sexual, e 79% deles tem preocupação em falhar na hora ''H''. A pesquisa mostrou ainda que apenas 21% dos homens conversou com a parceira frente a dificuldade de ereção, 33% tentaram um novo estímulo, 22% ficaram irritados e 18% ficaram sem reação. O mais grave é que, segundo Costa, o homem leva em média três anos para buscar algum tipo de ajuda.

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