Discute-se na Alemanha tratado para banir tipos de pesticidas
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domingo, 19 de março de 2000
Por Burt Herman 
Berlim, 20 (AE-AP) - Pesticidas como o DDT podem representar um perigo para os seres humanos e animais, mas para os países em desenvolvimento que os utilizam para matar mosquitos e prevenir a malária, os efeitos negativos nem sempre compensam o benefício que o DDT pode trazer salvando milhares de vidas.
A prestação de assistência financeira e técnica a esses países, de forma que consigam abandonar substâncias como o DDT, será um dos principais temas de discussão entre os representantes de mais cem países, incluindo o Brasil, que retomaram hoje conversações em Bonn, na Alemanha, sobre um tratado global para proibir o uso desse e outros venenos mortais para o meio ambiente.
Será a quarta rodada de negociações sobre a proibição de uma lista das 12 substâncias químicas consideradas mais perigosas porque se degradam muito lentamente e podem se acumular na cadeia alimentar. Esses produtos, conhecidos como poluentes orgânicos persistentes, têm sido associados ao câncer, defeitos congênitos e outras anormalidades genéticas.
O Brasil, onde o uso do DDT já é proibido desde 1985, participou de todas a sessões até agora. A delegação brasileira será chefiada essa semana por um representante da embaixada do País em Bonn, junto com o diplomata Benedito Fonseca Filho, do Itamaraty, Sérgio de Souza Oliveira, do Ministério do Meio Ambiente, e dois técnicos do Ibama e da Associação Brasileira das Indústrias Químicas, segundo informações da Divisão de Meio Ambiente do Itamaraty.
A próxima e última rodada de negociações está marcada para dezembro, na áfrica do Sul, tornando esta sessão de seis dias crucial para garantir que o trabalho sobre o tratado possa ser encerrado. Os líderes esperam que o texto do tratado esteja já acertado e elaborado antes do fim das negociações no sábado.
Conseguir ajuda para os países em desenvolvimento é fundamental "para que este possa realmente ser um esforço global e não apenas um esforço dos países desenvolvidos", disse Brooks Yeager, vice- secretário-assistente para o meio ambiente do Departamento de Estado dos Estados Unidos e chefe da delegação americana.
Até agora, foi o Canadá que fez o compromisso financeiro mais significativo, colocando à disposição US$ 13 milhões do seu orçamento federal para auxiliar os países em desenvolvimento a limitar o uso de tais substâncias. Espera-se que outros países declarem seus planos de assistência internacional nesta reunião.


