Discussões sobre
exploração de ouro
‘‘foram difíceis’’
Carlos Frederico Marés disse ontem que é ‘‘impossível’’ conciliar mineração com preservação da cultura de algumas tribos indígenas, que não assimilam este tipo de atividade econômica. Antes de deixar o cargo, ele afirmou que teve ‘‘discussões muito difíceis’’ dentro do governo sobre exploração de ouro e madeira em comunidades indígenas, durante a elaboração das mudanças no Estatuto do Índio, enviadas ao Congresso na semana passada.
Marés exemplificou os ianomami como uma das tribos que não conviveria de forma conciliadora com a mineração. Segundo ele, os ianomamis ‘‘têm concepção contrária à mineração’’. Afirmou que o ouro, na visão dos ianomamis, é ‘‘bom’’ quando está dentro da terra, mas quando ‘‘cozido’’ solta a ‘‘xauara’’, que seria uma fumaça mortífera. Marés não soube precisar se esta postura nasceu a partir da utilização do mercúrio para depurar o ouro.
O ex-presidente da Funai, no entanto, advertiu que o Estatuto do Índio prevê que a mineração será aprovada ‘‘caso a caso’’, obedecendo às especificações das terras indígenas e às tradições culturais de cada tribo. Ele acredita que a mineração jamais poderia ser aprovada pela Funai em terra ianomami. O Estatuto do Índio prevê que o tema terá de ser acompanhado pela fundação e pelo Ministério Público.
Marés é procurador no Paraná e exerce o cargo de professor de direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Curitiba. Ele disse que, além de reassumir suas funções regulares, voltará a desenvolver trabalho ‘‘voluntário’’ em defesa dos índios. Ele acredita que não tenha sido demitido do governo pela sua estreita ligação com as causas indígenas. (A.E.)

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