Discussão sobre acordo da dívida é "deformada", diz Covas
São Paulo, 11 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) disse hoje, em entrevista coletiva, que considera "deformada" a discussão em torno da revisão do acordo que definiu os termos da renegociação das dívidas dos Estados com a União, reivindicada pelos governadores de oposição. Para ele, o assunto está sendo "mal discutido". "O que precisa ficar claro é que não se pode passar a idéia de que o governo federal é um grande banco que fez um negócio extorsivo com os Estados, isso não é verdadeiro"
afirmou. "Não dá para admitir que você apresente uma negociação, feita com o governo federal, como uma negociação extorsiva."
Covas voltou a afirmar que, ao contrário do que os governadores sustentam, a renegociação das dívidas é "vantajosa para os Estados". Segundo ele, se os governadores estivessem pagando a dívida sem que ela tivesse sido renegociada pela União
as prestações seriam quatro ou cinco vezes maior do que o valor pago hoje ao governo federal. "Eu acho que é perfeitamente viável discutir coisas, mas acho que você não pode partir de um pressuposto que é absolutamente não-verdadeiro: que o Estado foi espoliado."
O tucano defendeu ainda que cada governador trate separadamente, com o governo federal, sobre os problemas de seu Estado. Segundo ele, existe uma outra questão que é saber se a dívida a ser paga, em face de todas as dificuldades, é possível de ser paga. "Também isso não é negociável em grupo", criticou. "Senão, você cria um grupo de governadores de um tipo e, quem não é deste tipo, está imediatamente afastado da coisa."
Covas disse que, embora a renegociação, na sua opinião, seja vantajosa para os Estados, existe ainda a discussão sobre a possibilidade ou não dos governos estaduais honrarem a dívida. "Se você não tiver de pagar fica muito melhor; mas, na realidade, se você não fizer esta negociação, isto não faz a dívida desaparecer, você teria de pagá-la." Segundo ele, se os Estados não têm condições honrar essa dívida agora, "muito menos teriam de honrar a que existia antes, porque a que existia antes custaria quatro, cinco vezes o que custa hoje".
O governador criticou ainda a postura dos governadores de oposição de culparem seus antecessores pela criação da dívida. "Outro aspecto é que alguns que entraram agora raciocinam a partir daí; bem, eu também não sou responsável pela dívida de São Paulo; não fui eu que a fiz, mas quem é eleito governador recebe um ativo e um passivo do Estado, então tem de gerenciar, gerenciar da melhor maneira possível."
Covas deu como exemplo o caso de São Paulo. Ele contou que, no início de seu primeiro mandato, a dívida do Banespa era de R$ 9 bilhões e, dois anos depois, pulou para R$ 27 bilhões. Esta dívida, segundo ele, está sendo paga hoje por meio de parcelas mensais de R$ 250 milhões, incluindo a dívida da Nossa Caixa e a dívida mobiliária. "O que significa um pagamento muito menor do que apenas a amortização que eu teria de fazer para o Banespa." Ele afirmou que, mesmo assim, o valor é pesado para o Estado. "Mas se tivesse de pagar aquela dívida (sem a negociação), teria de pagar com toda a arrecadação do mês."
Durante a entrevista, o tucano citou o caso do Estado de Alagoas, onde a situação, segundo ele, é "especialíssima". Ele acredita que o governo alagoano só conseguirá resolver o problema em quatro anos. O Estado tem uma dívida com a União de R$ 2,5 bilhões. O governo está com seis parcelas da renegociação atrasadas, débito que não foi pago na gestão anterior.
O governador concedeu hoje a primeira entrevista coletiva, no Palácio dos Bandeirantes, depois da cirurgia para retirada de câncer, em 14 de dezembro do ano passado. Também foi a primeira entrevista desde segundo mandato, durante solenidade em que o governo anunciou a redução de ICMS na venda de dois produtos.





