Discussão entre cozinheiros acaba em homicídio
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quinta-feira, 01 de abril de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 02 (AE) - Uma discussão sobre como fritar linguiças. Esse foi o motivo da morte de José Roberto Mendes, de 35 anos, chefe do Restaurante da Mama, na Mooca, zona leste de São Paulo. A polícia prendeu o vendedor Adão de Souza Luz, de 33
e a cozinheira Ivaneide de Santana Souza, de 33, e acusou-os do crime. Um dia antes do assassinato, a cozinheira havia sido repreendida pelo chefe porque fritava linguiças na panela usada para fazer batatas fritas.
"Ela contou ao marido o que aconteceu e ele foi vingar-se do chefe da cozinha", disse o delegado Guilherme Amadeu Junior, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A investigação do crime durou quase dois anos. O casal era suspeito desde o ano passado, mas só agora a polícia reuniu todas as provas para conseguir prendê-lo.
Mendes trabalhava havia três meses no restaurante da Rua Barão de Jaguara quando foi assassinado em 10 de maio de 1997. "A Ivaneide trabalhava havia seis anos no restaurante e, quando o cargo de chefe ficou vago, o escolhido foi Mendes, o mais novo funcionário do lugar", disse o delegado. Após ser preterida, a cozinheira passou a entrar em atrito diariamente com o chefe.
No dia 9, ela fritava linguiças na panela usada para fazer batatas fritas quando foi surpreendida pelo chefe, que a repreendeu. Mendes proibiu-a de fazer isso porque as batatas iriam ficar com o gosto da linguilça e os clientes reclamariam. Contrariada, a cozinheira largou o trabalho no meio e foi para casa. Voltou no dia seguinte, como se nada houvesse acontecido.
Naquele dia, Mendes saiu do trabalho e foi alcançado por um homem armado. Levou um tiro no rosto e outro no peito. A primeira informação que chegou a polícia, por meio de testemunhas, é que a o chefe teria sido morto em uma tentativa de roubo. Assim, as investigações da polícia procuraram um ladrão até junho do ano passado, quando surgiu a suspeita contra o casal.
Ambos negaram o crime. Mas a equipe G-Leste do DHPP apreendeu uma pistola e um revólver calibre 38 com os suspeitos. O laudo de balística revelou que havia sido daquele revólver que saíram os tiros que mataram o chefe. Na segunda-feira, enquanto uma equipe de policiais foi ao restaurante prender a cozinheira, outra dirigiu-se à residência do casal, em Guarulhos, para prender o marido. "Apreendemos ainda mais um revólver e uma outra pistola", disse o delegado. Ambos voltaram a negar o crime ao depor.


