Discursos no Congresso darão sinal da receptividade do mínimo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de março de 2000
Por José Ramos 
Brasília, 24 (AE)- Após uma semana de intensas discussões sobre o novo valor do salário mínimo, o Congresso deverá ter hoje um dia tranquilo, já que a maioria dos parlamentares voltou para suas bases políticas. Mas os discursos de deputados e de senadores, nas sessões não deliberativas previstas para a Câmara e para o Senado, deverão dar hoje o primeiro sinal sobre a receptividade da solução encontrada pelo governo - que fixou o mínimo em R$ 151,00 e permitiu que os governadores elevem esse valor em seus Estados para os trabalhadores regidos pela CLT.
A principal questão é saber como se comportará agora o PFL, principalmente a ala mais vinculada ao senador Antônio Carlos Magalhães (BA), que vinha apoiando firmemente a elevação do piso para R$ 180,00. Antes do anúncio oficial do mínimo, o senador já havia elogiado a solução da regionalização, mas não ficou em Brasília para esperar a formali zação da proposta. E o líder do partido no Senado, Hugo Napoleão (PI), fez questão de dizer, após a reunião, que o PFL tinha sido o único partido a se manifestar contrário à proposta durante o encontro de ontem do presidente Fernando Henrique Cardoso com os líderes dos partidos da base do governo, no Palácio do Planalto.
O senador relatou ainda que o presidente Fernando Henrique Cardoso apenas apresentou a proposta, sem solicitar sugestões. A Executiva do PFL, segundo Napoleão, vai debater o assunto. O segundo capítulo dessa "novela", portanto, estará mais visível na próxima semana, quando os deputados e senadores terão um panorama melhor sobre receptividade da decisão sobre o mínimo por seus pares e pelos governadores, prefeitos e formadores de opinião.


