Discurso não ignora progressistas
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quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Agência Estado Rio 
O tom do pronunciamento do papa na chegada mostrou que, embora ele tenha sido convidado por setores conservadores da Igreja do Brasil, não ignora a chamada ala progressista, que demonstra maior preocupação com questões sociais e culturais. As referências especiais que o pontífice fez às populações indígenas e descendentes de africanos também foi um sinal da consideração com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que valoriza essas duas questões em suas pastorais.
Desde que surgiu na porta do avião, o papa mostrou cansaço e dificuldade para andar. Ao descer a escada parou duas vezes. Caminhou com o auxílio de uma bengala e ao ler seu primeiro discurso da visita estava com voz arrastada. Uma imagem muito diferente da que mostrou aos brasileiros em sua primeira viagem ao País, há 17 anos. Na época o que chamava atenção era o vigor físico do papa polonês.
Além de ter passado por uma cirurgia para a retirada de um tumor benigno no intestino, o papa sofre do mal de Parkinson. Essa doença degenerativa do sistema nervoso central é que provoca o tremor de sua mão esquerda, impedindo-o de segurar objetos.
O papa saiu da base do Comar para o passeio pelas ruas da cidade. Às 17h50, no interior da sede dos Correios, na avenida Presidente Vargas, ele deixou o papamóvel. Embarcou no Mercedes blindado cinza metálico placa CHY-0639 e foi para a residência do arcebispo, na Estrada do Sumaré, na Floresta da Tijuca, onde ficará hospedado até domingo. No caminho foi saudado por cerca de 150 moradores da Favela do Sumaré, que agitavam faixas desejando boas-vindas e bandeirolas com as cores do Brasil e do Vaticano.
Às 18h10 João Paulo 2º recolheu-se para descansar. Ele ficará no Brasil até o domingo e deve fazer mais quatro pronunciamentos. Tratará principalmente de questões morais, ligadas à questão da defesa da família.


