Discurso e ameaças mudaram resultado, avaliam parlamentares
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Flávio Mello e Gabriela Carelli 
São Paulo, 01 (AE) - Foram 36 minutos de apelos e sutis ameaças. O discurso de defesa emocionado e intimidatório do vereador José Izar (PFL) ajudou a reverter a tendência na Câmara de Vereadores, favorável à cassação de seu mandato, na opinião da maioria dos vereadores ouvidos pela reportagem. Eles disseram ter sido surpreendidos com os argumentos do vereador. "A situação estava definida no início, mas o discurso e o cartaz (distribuído por Vicente Cândido) mudaram tudo", disse José Viviani Ferraz (PL).
Ao contrário da enfadonha explanação da defesa de Maeli, que provocou até cochilos no plenário, os 46 vereadores que estavam presentes ficaram atentos às frases de efeito e bastante pensativos. "Votei contra a CPI para que vocês não passem pelo que eu passei; não sofram o que eu sofri", disse Izar. "Tenho mais ou menos 35 amigos nesta casa, que nunca vou esquecer; vou carregá-los sempre nas minhas mãos." A frase foi interpretada por vereadores como uma discreta ameaça.
Os indícios de que a situação de Izar, no fim da tarde, era bem diferente da registrada no começo da manhã, eram visíveis. No fim do discurso, Izar foi abraçado por colegas governistas, que demonstravam a possibilidade de mudar de opinião sobre a cassação. Toninho Paiva (PFL) levantou-se para cumprimentá-lo, seguido por Dito Salim (PPB). Até oposicionistas
como Gilson Barreto (PSDB), apertaram a mão do acusado. O último abraço foi de Faria Lima (PMDB).
Depois os vereadores reuniram-se em grupinhos. Um pepebista, que pediu para não ser identificado, disse acreditar que o placar poderia mudar por causa das manobras. Além de frases como "se cassado for, dividirei meus votos com os senhores, porque não sou traidor", Izar usou como argumentos para provar sua inocência testemunhos de comerciantes na CPI.
Não foram só palavras as armas de Izar. Seu advogado, Hermes Mulan, conseguiu suspender a sessão alegando cerceamento de defesa. Afirmou que documentos protocolados haviam desaparecido e não constavam dos autos.
Terminada a votação, Bruno Feder foi ao encontro de Izar
ao lado de Myryam Athie e Faria Lima. Izar apareceu por segundos, para evitar as vaias da galeria, e mandou beijos, pondo a mão no coração. Logo depois, foi embora.
Segundo seu irmão, Willians José Izar, o vereador só deve pronunciar-se amanhã (02). "Ele ligou e disse que a Justiça divina foi feita", afirmou, no gabinete do irmão. "Seu discurso foi o de um líder; surge agora um novo líder na Câmara Municipal."


