Brasília, 24 (AE) - O novo ministro da Defesa, Geraldo Magela Quintão, assumiu hoje o cargo no lugar do ex-ministro Élcio álvares com um discurso de posse detalhando as metas, que coincidem ponto a ponto com as reivindicações dos militares. Ele classificou de "justos" e "legítimos" os "reclamos" dos comandantes das Forças Armadas e salientou até mesmo a importância de dar um "soldo condizente com as altas responsabilidades" das funções militares e uma "previdência adequada".
Quintão, que tomou posse na tentativa de pôr fim ao tenso relacionamento com as três forças, garantiu que vai trabalhar para um orçamento da pasta "sem cortes que venham a diminuir a capacidade operacional".
álvares foi demitido pelo presidente na terça-feira (18)
depois de dois meses de crise com as Forças Armadas, que teve como pano de fundo a revelação das denúncias, feitas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara, do envolvimento dele e da ex-assessora Solange Antunes com o crime organizado no Espírito Santo. Quintão destacou que será um "interlocutor" do Ministério da Defesa com o Congresso
em permanente contato com os líderes e com a Comissões do Orçamento, Relações Exteriores e Defesa Nacional. Ele pediu compreensão do Congresso e "efetiva colaboração do governo." Ele afirmou que vai assumir uma tarefa, como ministro da Defesa, concentrando-se "exclusivamente em seus misteres, imune a influências externas, interesses e ambições", citando o cientista político norte-americano Samuel Huntington que inspirou a abertura democrática no Brasil assumido pelo ex-presidente Ernesto Geisel, ao defender um sistema de mudanças lento e gradual.
Para ele, é necessário defender as "propostas orçamentárias da pasta, contendo as dotações específicas de cada Força, no sentido de lhes serem destinados recursos indispensáveis e suficientes ao cumprimento de suas obrigações institucionais." Em discurso, o presidente Fernando Henrique Cardoso rebateu as críticas à pasta dizendo que "jamais se cogitou criar o Ministério da Defesa para reafirmar o comando civil sobre as Forças Armadas".
Na mesma linha, Quintão frisou, ao citar novamente Huntington, a necessidade de "um complexo equilíbrio de poder e atitudes entre grupos civis e militares". "Países que falham no desenvolvimento de um quadro equilibrado de relações entre civis e militares desperdiçam seus recursos e correm riscos incalculáveis." Ele lembrou que a pasta foi defendida pelo presidente nas duas campanhas eleitorais, de 1994 e 1998.
Segundo ele, o ministério visa a "proporcionar a modernização e a capacitação de defesa do País para melhor eficiência e eficácia de seu poder dissuasório". Quintão destacou cada ponto das metas, detalhando 13 itens, entre os quais, "orçamento de defesa" e "políticas de remuneração dos militares e pensionistas" e "aeronáutica nacional e atuação na política nacional de desenvolvimento das atividades aeroespaciais".
O novo ministro declarou que será dele a missão de dar continuidade à redação final dos projetos de lei de criação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), determinada em lei complementar, e do novo Código Brasileiro do Ar. "É de obrigação elegerem-se prioridades, que me competirão executar, a fim de não se frustrarem os objetivos constitucionais concernentes à defesa do Estado democrático."
Segundo ele, será importante dar dimensão estratégica da segurança e defesa para possibilitar interação com países vizinhos e voltando-se para a Amazônia, com um o aumento dos "delitos fronteiriços". Desta forma, de acordo com o novo ministro, destaca-se o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam).

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