São Paulo, 15 - A última participação de Franco Montoro que seria feita no México no Foro América Latina-Europa para o Desenvolvimento Social Sustentado, será lida, na íntegra pelo seu amigo Fernando Gasparian, ex-deputado do PMDB, que o representará naquele evento. Ele deixou escrito um pronunciamento com o nome de "Controle dos Capitais Voláteis no Sistema Financeiro Internacional". Na abertura do trabalho estão várias citações: "Contribuição de Franco Montoro, deputado federal, ex-governador de São Paulo, Presidente do Conselho Consultivo do Parlamento Latino-Americano. "As loucuras dos grandes não devem ficar sem vigilância", Shakespeare; "Entre o forte e o fraco, a liberdade oprime; é a lei que salva. (Lacordaire); "Se temos poder, para que ter leis? (Um poderoso anônimo); e "Como terminará a crise atual? Com a obediência cega às leis do mercado? Ou com o estabelecimento de normas internacionais de equidade e justiça".
No seu pronunciamento Montoro destaca que "as atuais turbulências globais no campo das bolsas e da economia de todas as nações nos fazem pensar na estrutura do sistema financeiro internacional. Sob o impacto da especulação financeira, países como a Indonésia, Malásia, México, Brasil, Equador, Chile, Argentina, Rússia, Japão e outros, sofreram crises dramáticas e desestabilizadoras".
E alertava: "Estamos diante da ameaça de um colapso global. E é evidente que não podemos continuar vivendo num mundo em que uma especulação financeira de alguns minutos, em qualquer parte da Terra, ameace a economia de nações inteiras e destrua o trabalho de milhões de homens e mulheres e crianças. Esse quadro mostra a necessidade urgente de mudança no sistema financeiro internacional, especialmente, em relação ao controle das especulações financeiras de curto prazo".
Ao final do seu pronunciamento, Montoro afirmaria: "E a crise atual como terminará? Com a obediência cega às leis do mercado? Com o surgimento de uma convulsão social generalizada? Ou com o estabelecimento de normas disciplinadoras das relações econômicas internacionais? Para superar a lei das selvas e a opressão dos mais fortes, a humanidade vem criando através da história normas jurídicas de civilização e respeito à dignidade das pessoas. A luta pelo direito é a própria história da civilização. Hoje essa luta se estende, principalmente ao plano das relações internacionais. Esse é o sentido da citada decisão da Onu, a Declaração dos Direitos Humanos. Talvez em nenhuma época como hoje, a luta pelo direito se tenha identificado tanto com a própria defesa da civilização e do desenvolvimento humano. É dever de todos zelar para que a globalização, superando os riscos da exclusão e da v iolência, esteja a serviço da paz e da solidariedade".

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