Brasília, 13 (AE) - O forte discurso feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, no Rio, na Convenção Nacional de Supermercados, com duras críticas ao Congresso, tinha endereço certo: o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
Fernando Henrique ficou irritado com o fato de Temer ter permitido que a relatoria de dois importantes projetos que entrarão na pauta de votação, de interesse do governo - de regulamentação da Previdência e de aumento da alíquota do Imposto de Renda (IR) - tenha ficado com a oposição.
Para tentar reverter a situação, o presidente determinou ao articulador político e secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, que entrasse em ação, conversando com os líderes dos partidos que apóiam o governo.
Fernando Henrique também falou com Temer pelo telefone para saber por que ele não fez nada para impedir que os deputados Jandira Feghali (PC do B-RJ) e Ricardo Benzoini (PT-SP) assumissem as relatorias dos projetos da Previdência e do IR.
Ao fim da conversa, de bem com Temer, segundo assessores palacianos, o presidente ficou convencido de que as designações ainda poderão ser revertidas e pôs todo o time de aliados políticos confiáveis em ação. Amanhã (14), novas reuniões serão realizadas entre Temer e líderes do governo. Depois desse encontro, Fernando Henrique está convencido de que a questão será solucionada.
Antes de iniciar o discurso no Rio, Fernando Henrique sabia do problema que enfrentaria com os relatores escohidos para os dois projetos no Congresso, que quer ver votados o mais rápido possível. A avaliação de assessores é que, com dois oposicionistas conduzindo projetos fundamentais, as reformas tributária e previdenciária estarão definitivamente emperradas. "Isto não é possível", afirmou o presidente com auxiliares, preparando-se, de imediato, para tentar a contrapartida.
Para evitar um novo confronto com o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), Fernando Henrique também lhe telefonar para explicar que se referia à Câmara.

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