Washington, 24 (AE) - Na década dos 60, brancos e negros nos Estados Unidos não frequentavam os mesmos restaurantes e colégios, não pisavam na mesma calçada nem tinham os mesmos empregos e salários. Muitos anos e protestos depois, a igualdade de oportunidade foi garantida - pelo menos na lei. Mas um novo problema está ocorrendo: a discriminação cibernética.
Segundo um relatório do Departamento de Comércio, os norte-americanos de raça branca e asiática têm duas vezes mais acesso à Internet que negros e latinos. Até agora, isso tinha pouca importância. A Internet, como uma filmadora ou um aparelho de som, não passava de um luxo eletrônico.
Hoje não é mais assim. Pelos cálculos oficiais, a Internet tem um impacto cada vez maior no dia-a-dia dos norte-americanos: além de ser uma gigantesca fonte de informações, é o melhor lugar para procurar emprego, vender, fechar negócios ou oferecer serviços sem sair de casa.
Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Comércio demonstrou que o uso da tecnologia aumentou nos Estados Unidos - talvez mais do que em qualquer outro país do mundo. No final de 1998, mais de 40% das residências norte-americanas tinham computadores e um quarto delas tinha acesso à Internet.
Mas, desse grupo de informatizados, 30% eram brancos e 26% asiáticos. Os latinos representavam apenas 13% e os negros, 12%. O que preocupa o governo norte-americano é que, apesar do "boom" econômico, do desenvolvimento tecnológico e da queda nos preços dos computadores, o "gap digital" - a lacuna que separa os que têm acesso à tecnologia - entre raças diferentes e moradores das cidades e do campo só tem aumentado.
De 1997 a 1998, esse "gap" entre brancos e negros que utilizam a Internet cresceu 53,3% e entre brancos e hispânicos, 56%. Segundo Larry Irving, do Departamento de Comércio, essa crescente divisão entre os norte-americanos com acesso ao espaço cibernético e aqueles que estão sendo excluídos dele é hoje uma das principais bandeiras dos defensores de direitos civis nos EUA - os mesmos que, décadas atrás, lutaram para acabar com a discriminação racial.
Em relação ao restante do mundo, os norte-americanos de todas as raças estão na frente. Um estudo mostra que, em maio, 171 milhões de pessoas no mundo utilizavam Internet. Mais da metade (97 milhões) vive nos EUA e no Canadá. Outros 40 milhões (23%) são europeus e 27 milhões (17%) asiáticos. A América Latina tem apenas 5,3 milhões de internautas (3,1% do total). áfrica e Oriente Médio têm aproxiadaamente 1 milhão cada.

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