Discrição é marca de Lenz César
O governador interino do Paraná, Henrique Lenz César, entrega o cargo amanhã a Jaime Lerner, que volta de uma viagem à França, tendo marcado sua curta passagem pelo Palácio Iguaçu com a discrição que lhe é peculiar. Tratou-se de uma substituição de rotina, e foi uma honra ter estado em exercício numa interinidade tão rápida, diz Lenz César que, mesmo assim, fez questão de acompanhar de perto o trabalho dos secretários de Estado desde que assumiu, sexta-feira passada. Ainda como governador, ele abriu ontem o seminário luso-brasileiro sobre as tendências do Direito Civil brasileiro, em Curitiba, quando fez uma homenagem póstuma ao professor Francisco Muniz.
O antecessor de Lenz César, Cláudio Nunes do Nascimento, também assumiu por alguns dias o governo do Paraná, no final de 96. Nem a vice-governadora nem o presidente da Assembléia estavam no Brasil, na oportunidade. Nunes do Nascimento chegou a fazer viagens ao interior, como governador, e despachou do Palácio Iguaçu medidas administrativas no calor da briga Paraná-Santa Catarina por causa de barreiras sanitárias.
O desembargador que ficou mais conhecido por ter assumido temporariamente o poder Executivo foi Clotário Portugal. O então presidente do TJ assumiu o governo do Paraná, comandado por Manoel Ribas, no período de transição do regime revolucionário, em 1930. Ficou na função até que o período político voltasse à normalidade.
Esta é a primeira vez que Lenz César assume o governo, desde que foi eleito presidente do Tribunal de Justiça, em 1997. O vice Darcy Nasser de Mello está respondendo pelo Judiciário. Cláudio Nunes do Nascimento fica como vice de plantão - por ser o desembargador mais antigo presente na cidade e em atividade.
A interinidade de Lenz César só foi possível porque a vice-governadora Emília Belinati e o presidente da Assembléia, Aníbal Khury, estão impedidos de substituir o governador. Pela legislação eleitoral, os dois têm de se desincompatibilizar pelo menos seis meses antes da eleição de outubro para não correrem o risco de se tornar inelegíveis. O prazo começou a correr desde sexta-feira passada. (L.D.).





