"Discrepância cordial" confronta Colômbia e Venezuela
Bogotá, 11 (AE-REUTERS) - A Colômbia atribuiu nesta quinta-feira (11) a uma "discrepância cordial" com a Venezuela
em relação ao processo de paz e à guerrilha, o adiamento do encontro entre os presidentes Andrés Pastrana e Hugo Chávez na fronteira entre os dois países.
No entanto, a Colômbia solicitou que a Venezuela seja prudente e discreta e que atue dentro do princípio de não intervenção nos assuntos internos dos Estados.
Irritado com uma declaração de seu colega venezuelano, o presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, suspendeu hoje uma reunião que manteria com Hugo Chávez, informou o ministro de Relações Exteriores colombiano, Guillermo Fernández de Soto.
Segundo o chanceler, o governo colombiano considerou "inconveniente" um comentário feito por Chávez, segundo o qual a administração Pastrana concedera status de "beligerante" às guerrilhas envolvidas no processo de paz na Colômbia. Tal concessão significaria o reconhecimento de que os rebeldes exercem poder de Estado nas regiões em que atuam.
"Essa declaração demonstra total desconhecimento das leis colombianas", disse Fernández, esclarecendo que o governo concedeu aos grupos guerrilheiros apenas o status de "movimento político" para possibilitar as negociações.
"Temos dito claramente que toda ajuda ao processo de paz é bem-vinda, mas ela deve obedecer aos princípios de não-ingerência em assuntos internos."
Há uma semana, três cidadãos norte-americanos foram mortos em território venezuelano. As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), maior grupo guerrilheiro esquerdista do país, admitiram a autoria dos crimes.
Chávez fez o comentário durante uma entrevista na qual reiterou que a Venezuela permanecerá "neutra" no conflito interno colombiano. "Mas, se uma das partes nos agride, temos o direito de cancelar essa neutralidade", advertiu.





