O ministro da Educação, Abraham Weintraub, pretende analisar os vídeos para checar se houve alguma irregularidade por parte dos educadores
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, pretende analisar os vídeos para checar se houve alguma irregularidade por parte dos educadores | Foto: Rafael Carvalho/Casa Civil

A polarização política que se arrasta pelo País provoca uma atmosfera bélica nas salas de aula. A prova disso é o vídeo divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro, na segunda-feira (29), no qual uma aluna questiona a professora por ela ter passado parte do tempo em classe tecendo críticas ao filósofo Olavo de Carvalho e ao movimento Escola Sem Partido.

“Professor tem que ensinar e não doutrinar”, escreveu Bolsonaro em sua publicação na rede social. A discussão sobre os direitos dos estudantes questionarem o posicionamento político dos professores vem se acalorando, mas na prática demonstra que há uma dificuldade para se encontrar um consenso. “Tenho por opinião que o assunto a ser discutido é o definido no conteúdo programático. O professor deve dar os caminhos para que os estudantes se emancipem intelectualmente e cheguem às suas conclusões. No entanto, cabe ao professor estabelecer limites sobre se aceita ser gravado ou não. O que parece é falta de bom senso. Ambos os lados estão empoderados”, opinou o professor Egon Bockmann Moreira, do departamento de Direito Público da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

As reações sobre a postagem do vídeo por parte do presidente da República foram diversas. O próprio ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi a público para defender a posição do governo. Ele afirmou que os alunos têm direito de gravar os professores e pretende analisar os vídeos para checar se houve alguma irregularidade por parte dos educadores.

"Não incentivo ninguém a filmar uma conversa na rua, mas eles têm direito de filmar. Isso é liberdade individual de cada um. Vou olhar os casos com calma. Não faremos nada de supetão”, disse Weintraub, que atuou como professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e permitia que seus alunos gravassem as aulas e fotografassem a lousa. Apesar da possível intervenção, o ministro tentou espantar um possível clima de caça às bruxas, afirmando que os direitos dos professores estão garantidos, mas que medidas podem ser necessárias para melhorar o ambiente escolar.

O hábito de gravar as aulas é uma atividade aceitável por muitos professores no meio universitário, no entanto é preciso a concordância, conforme afirma a professora da UFPR Andrea Caldas, doutora em Educação, coordenadora do Fórum Estadual de Educação do Paraná e do comitê Paraná da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

“A sala de aula é um espaço para o diálogo e para as relações democráticas. Não podemos ignorar que os estudantes possam não estar satisfeitos com a postura de alguns professores e é claro que existem profissionais que fazem proselitismo partidário em sala, eu sou contrária. No entanto, é preciso encontrar um espaço para o diálogo”, defendeu Caldas.

A especialista afirma que, apesar do setor ter diversos problemas para enfrentar e que parte deles passa pelo comportamento dos professores, o caminho apontado pelo governo não é o correto. “Tenho 30 anos de experiência, sei que há muitos professores autoritários, que agem errado, mas não era para o presidente do País incitar os alunos contra. Desta forma, não há um ambiente propício para a educação melhorar”, concluiu.(Com Agência Estado)

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