Brasília, 26 (AE) - As declarações do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), e do senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) de que o partido poderá apoiar o ex-governador do Estado e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes à presidência irritaram os dirigentes da legenda em São Paulo. "É evidente que o PSDB terá o seu candidato à presidência filiado ao partido; não há qualquer hipótese em se apoiar um nome de outra legenda", disse o deputado federal Alberto Goldman (SP), vice-presidente tucano.
O presidente da seção paulista do PSDB, deputado estadual Edson Aparecido, afirmou que a referência feita a Ciro por Jereissati e Alcântara foi "desastrosa e caiu como uma bomba dentro do grupo do PSDB de São Paulo". Para o vice-presidente paulista do partido, o deputado federal Antônio Carlos Pannunzio, "este tipo de colocação não ajuda em nada". Atualmente, três nomes dentro da legenda são lembrados como possíveis sucessores do presidente Fernando Henrique Cardoso: o governador de São Paulo, Mário Covas, o ministro da Saúde, José Serra, que é senador licenciado por São Paulo, e Jereissati.
A reação contrária dos tucanos paulistas, contudo, deve levar a uma paralisação momentânea do debate sucessório dentro da legenda. A iniciativa hoje de encerrar esta discussão teve a concordância até de aliados de Jereissati, como o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE).
"O momento agora é de pensar nas prefeituras", afirmou
referindo-se às eleições municipais deste ano. De acordo com Machado, "é muito cedo para falar em sucessão e não se deve cogitar em apoiar Ciro Gomes, dado que tanto Covas, quanto Serra e Tasso são candidatos naturais".
Afirmando falar em nome da direção nacional do partido, Goldman disse que, somente no segundo semestre do próximo ano, o PSDB irá reunir-se oficialmente para tratar da sucessão presidencial, "com 18 meses de antecedência, o que já é um tempo enorme". Segundo Goldman, o arquivamento do assunto não será feito em razão de o partido estar dividido, mas sim para não desestabilizar o governo de Fernando Henrique.
"Esta discussão contraria o interesse da administração federal", disse. O risco seria prejudicar a precária unidade da base parlamentar do governo no Congresso, cuja articulação política está sob responsabilidade do PSDB: são tucanos os líderes do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (AM), na Câmara, Arnaldo Madeira (SP), e no Senado, José Roberto Arruda (DF), e os coordenadores políticos no Executivo, o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira Filho, e o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga.
Dos três partidos principais que formam a coalizão governista, o PSDB é o que mais reluta em começar a debater a sucessão presidencial. Desde o início de 1999, o PFL decidiu, em convenção nacional, ter candidato próprio e até definiu quais são os quatro pré-candidatos: o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (BA), o vice-presidente Marco Maciel, e os governadores do Maranhão, Roseana Sarney, e do Paraná, Jaime Lerner. Ainda sem pré-candidaturas lançadas, os dirigentes do PMDB afirmam que o partido terá candidato a presidente.

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