Dirigentes da Abrace querem revogação de aumento no preço do gás natural
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Adriana Fernandes 
Brasília, 10 (AE) - Os dirigentes da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace) querem que seja revogado o aumento de 40% no preço do gás natural. Esse reajuste foi autorizado pelo governo no último dia 4.
Os dirigentes da Abrace propuseram hoje ao secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, que o aumento seja suspenso enquanto se discute uma nova política de preços para o produto.
"Nós não vamos ficar quietos, é uma questão de sobrevivência para nós", anunciou o presidente da Abrace, Carlos Anísio Rocha Figueiredo. Ele alertou que, com os preços atuais, o uso do gás natural pela indústria está se tornando inviável.
Disse que já há indústrias pensando em se mudar do País. No aumento de 40%, a Petrobrás está concedendo um desconto de 11 22%, mas, mesmo assim, segundo Rocha Figueiredo, o preço continua alto.
A Abrace reúne 45 complexos industriais em vários setores como alumínio, siderurgia, mineração, papel, celulose e química. Essas indústrias consomem 20% de toda a energia usada no País. Os mesmos 45 complexos industriais são responsáveis, segundo o presidente da Abrace, pelo consumo de 50% de todo o gás natural e óleo combustível usados no Brasil.
Os dirigentes da Abrace querem também que seja revisto o preço do óleo combustível, reajustado em 20% no sábado passado. Segundo o presidente da Abrace, Carlos Anísio Rocha Figueiredo, o preço do óleo combustível cobrado pela Petrobrás está entre 25% e 30% mais caro que o cobrado em dólar no mercado de Nova York.
"Há uma margem de conforto muito grande para a Petrobrás", disse Rocha Figueiredo, após a audiência. O presidente da Abrace disse que, para o produto nacional ter condições de competir no mercado internacional, é preciso ter "as mesmas condições de igualdade".
"Queremos ter o direito de ter esse insumo aos preços internacionais", disse Figueiredo. A renegociação do preço é neces sária, segundo Rocha Figueiredo, para se adequar aos preços internacionais o valor cobrado pela Petrobrás.


