BELÉM - O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Sul do Pará, Jorge Nery, disse ontem que novas invasões irão ocorrer nas próximas semanas, caso o governo federal mantenha a morosidade nos processos de desapropriação de fazendas para assentamento para reforma agrária. ‘‘A coisa está andando muito devagar’’, afirmou Nery.
De acordo com o coordenador, a diretoria do Incra em Marabá foi avisada pelo MST sobre a possibilidade de invasões. Na região há cerca de 30 fazendas sob risco de invasão por mais de 6 mil famílias. A maioria não é controlada pela entidade.
O Incra, segundo Nery, pediu 60 dias para concluir alguns processos de desapropriação, sobretudo das fazendas Mucuripe e Ponte Grossa, que fazem parte dos 44 mil ha do Complexo Macaxeira. Parte da Macaxeira foi desapropriada em 96. Cerca de 690 famílias vivem na área.
‘‘Eles não me deram um prazo e nem eu pedi. O que fizemos foi um acordo com o MST para que não ocorram mais ocupações por lᒒ, argumentou o superintendente do Incra em Marabá, Petrus Abib. Segundo ele, a solução definitiva para o problema virá num prazo ‘‘nunca inferior a 60 dias e nem superior a 90’’.
FocoUm dos maiores pontos de tensão fundiária no Sul do Pará está hoje nos 17 mil hectares da Fazenda Pastoriza, em São João do Araguaia, às margens da Transamazônica. Ali estão acampadas 1.150 famílias.
Permanente foco de conflitos, a região, resumiu Abib, não pode ter seus problemas fundiários resolvidos da noite para o dia. ‘‘É preciso também investir nas áreas desapropriadas, construindo estradas e benfeitorias’’.

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