Rio, 03 (AE) - A política de metas de inflação, pela qual o Ministério da Fazenda estabelece um índice de alta de custo de vida para o ano e o Banco Central (BC) fica responsável pela obtenção da meta, trará incerteza, no início da sua execução, admitiu hoje o diretor de Pesquisa Econômica do BC, Sérgio Werlang. O diretor coordena seminário sobre esta nova política, que começou hoje e vai até quarta-feira, na Delegacia Regional do BC no Rio de Janeiro.
"No caso do Brasil, por causa de sua magnitude, é natural que a incerteza associada a qualquer previsão de inflação será maior do que na Inglaterra", afirmou Werlang. A Grã-Bretanha adotou este sistema em 1992. Para evitar este grau de incerteza, o BC e o Ministério da Fazenda devem dar ampla divulgação às metas, que serão fixadas publicamente a partir de junho. Os números serão para a inflação deste ano, do ano 2000 e "possivelmente" do ano 2001, afirmou ele.
No primeiro dia do seminário foi demonstrado como países como Nova Zelândia e Chile adotaram esta nova política. Segundo Werlang, ao obter estas informações, um dos objetivos do BC é verificar o "nível de acurácia" destes países em conseguir trabalhar com metas de inflação.
Também foi ouvido o economista Marvin Gutfrend, representante do Federal Reserve Board (FED), o banco central norte-americano. Segundo Werlang, Gutfrend afirmou que, apesar de este sistema não ser usado em seu país, ele é visto com bons olhos e também pode ser usado no futuro.
Preços do consumidor - A inflação a ser escolhida pelo governo como base desta política será calculada ou pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) ou pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O primeiro índice é calculado apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo, por serem considerados os mercados mais representativos do País pela FGV. O IPCA é usado pelo IBGE para medir a inflação entre famílias com renda de um a 33 salários mínimos.
Segundo Werlang, o BC usará um índice que meça a alta do custo de vida no varejo porque o objetivo de toda política econômica "é o bem-estar do consumidor". Desta forma, está descartada a adoção do Índice Geral de Preços da FGV-RJ, no qual os preços por atacado têm maior peso - e foram os que mais aumentaram, logo após a desvalorização do dólar. O IPCA dos últimos dois meses também foi inferior à alta registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE, mas que abrange apenas famílias de renda entre um e sete salários mínimos.
Werlang afirmou que a nova política vai trazer maior autonomia ao Banco Central, sem que ele precise ficar totalmente independente. O diretor confirmou que o sistema a ser usado pelo Brasil vai ser semelhante ao da Grã-Bretanha, que não retira do cálculo da inflação preços de produtos que são fixados pelo mercado internacional. Para Werlang, a exclusão de qualquer produto traria muita polêmica, pelos expurgos praticados anteriormente, na década de 70, pelo governo, no cálculo da inflação.

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