Diretório Nacional do PT não intervém no Rio, mas ajuda moderados
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sábado, 06 de novembro de 1999
Por Mariana Caetano 
São Paulo, 07 (AE) - O diretório nacional do PT decidiu hoje remeter a solução da crise do partido no Rio de Janeiro para o diretório regional - afastando a hipótese de intervenção -, mas acabou por fortalecer o grupo contrário à entrega dos cargos ocupados no governo Anthony Garotinho (PDT). Os integrantes do diretório nacional aprovaram o direito a voto para os delegados setoriais da legenda (representando juventude, mulheres, portadores de deficiência e sindicalistas) no âmbito dos diretórios regionais.
No caso do PT fluminense, isso altera a composição política do diretório local. A corrente Articulação, à qual pertence a vice-governadora Benedita da Silva e todos os delegados setoriais, passa a ter 25 dos 49 votos do comando petista no Estado.
A maioria apertada, entretanto, não garante o fim do impasse no diretório fluminense, rachado desde a última convenção do partido, quando as correntes Opção Popular, Opção Socialista e Refazendo conseguiram aprovar a entrega dos cargos ocupados na administração estadual em resposta a declarações ofensivas de Garotinho. O deputado federal Milton Temer (RJ), líder da Refazendo, já avisou que vai recorrer da decisão que garantiu voto aos delegados setoriais no congresso nacional do partido, a ser realizado em Belo Horizonte entre os dias 24 e 28.
Levar esse assunto para o congresso é tudo o que o presidente do partido, o deputado José Dirceu (SP), e a Articulação querem evitar. "Esse assunto deverá ser resolvido até o congresso pelo PT do Rio, mas ele não deverá ser discutido em Belo Horizonte", disse o deputado. A idéia é tentar impedir um desgaste ainda maior à imagem da legenda. Há cerca de duas semanas, o eleitor fluminense está sem saber se o PT participa ou não do governo, apóia ou não Garotinho. Isso porque a convenção estadual decidiu entregar os cargos que o partido ocupava, mas não aprovou o rompimento com o governo.
Apenas um dos quatro secretários estaduais petistas de fato foi exonerado do cargo: o ex-secretário dos Transportes Raul de Bonnis. Os demais, Antônio Pitanga (Ação Social, Esporte e Lazer), Jorge Bittar (Planejamento) e Gilberto Palmares (Trabalho) entregaram suas cartas de demissão a Garotinho, mas o governador não aceitou os pedidos.
Há uma guerra de interpretações sobre a resolução da convenção estadual. A Articulação garante ter cumprido as recomendações da convenção, entregando os cargos. A entrega, porém, segundo as correntes ligadas ao novo presidente regional do partido, o deputado Carlos Santana, apenas será concretizada quando os secretários forem exonerados. Santana tem o apoio da Opção Popular, da Refazendo e da Opção Socialista.
É especialmente nesse contexto que os votos dos delegados setoriais devem fazer diferença. Temer prevê que o diretório vote punições para quem não cumprir a resolução, e, caso isso não seja decidido, também vai tentar resolver a questão no congresso em Minas. "O que vai desgastar o PT é ficar ao lado de quem o chamou de partido da boquinha", disse Temer.
"Espero que essa maioria eventual da Articulação não acabe aprofundando a crise", disse a deputada estadual Cida Diogo, da Opção Socialista, que representou Santana na reunião do diretório nacional, hoje, em São Paulo. "Se a resolução não for cumprida, teremos de tomar uma posição", ameaçou. Ela admitiu, contudo, que o diretório pode até rever a saída do governo, mas apenas depois de os secretários serem exonerados. Isso aconteceria, ainda, somente se Garotinho (tido como "personalista e centralizador") mudasse sua relação com as bancadas que compõem a frente de esquerdas e admitisse a criação do conselho político de governo.


