Diretório do PT em Maceió ameaça romper com Lessa
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sábado, 11 de setembro de 1999
Por Ricardo Rodrigues, especial para a AE 
Maceió, 12 (AE) - O Diretório Municipal do PT de Maceió ameaçou hoje romper com o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), depois do escândalo envolvendo seu nome na prática de nepotimo. Ele empregaria pelo menos 14 parentes próximos.
A tese do rompimento foi reforçada com a vitória, para a direção do partido em Maceió, da corrente PT de Cara Própria. O jornalista e professor universitário Ricardo Coelho, eleito presidente com 271 votos dos convencionais - o vereador Judson Cabral, da Articulação, foi derrotado com 161 votos -, defende a imediata retirada do apoio ao governo Lessa, que ajudou a eleger em 1998.
"Até agora, o governador não democratizou o Estado, pelo contrário, perseguiu os trabalhadores do serviço público, que entraram em greve por melhores salários", afirmou Coelho. "Além disso, Lessa está ameaçando cortar as consignações dos sindicatos, e, o mais grave, é acusado de nepotismo, empregando boa parte da sua família", acrescentou o professor.
Os adeptos da facção vitoriosa também vão cobrar uma proposta para a crise do Estado e criticam "a subserviência" do governador em relação ao Planalto. A tendência, na verdade, foi contra o apoio do PT a Lessa nas eleições do ano passado. "Nós defendíamos um nome nosso na disputa, porque sabíamos que o candidato do PSB não tinha interesse de impor um novo modelo econômico para Alagoas", comentou Coelho.
A vitória dele contou com o decisivo apoio da senadora Heloísa Helena (PT-AL), que lidera a tendência Democracia Socialista (D.S.). Derrotada no primeiro turno da eleição para o Diretório Municipal, ela ficou dividida entre apoiar, no segundo turno, as teses radicais do PT de Cara Própria, ou votar nas teses moderadas da Articulação. Apesar de ter apoiado a candidatura de Coelho, a senadora disse que o partido precisa amadurecer a discussão sobre o fim da aliança estadual com o PSB. "Essa discussão será travada no próximo encontro regional do partido, marcado para os dias 21 a 23 de outubro", informou Heloísa Helena.
Contra-ataque - O candidato derrotado, Judson Cabral, condenou a "incoerência" da senadora, dizendo que ela foi contra a tese de rompimento do PT com governo Lessa, mas apoiou, em segundo turno, a candidatura de Coelho. A senadora defendeu-se, afirmando que apoiou Coelho porque o Diretório Municipal do partido está ao lado da facção Articulação.
"Nada mais justo que o Diretório Municipal seja dirigido pela tendência PT de Cara Própria", disse ela. Com a eleição de Coelho, a corrente ficou com 10 dos 27 cargos do Diretório Municipal. A D.S. tem direito a 9 e a Articulação, a 8. Para Heloísa Helena, o PT precisa discutir com o governador um programa global para o Estado. "Se nessa discussão as propostas do PT não forem aceitas, tomaremos outro rumo", advertiu.
A senadora criticou o nepotismo praticado por Lessa e informou que o Diretório Nacional do partido discutiu o problema quando surgiram as primeiras denúncias da mesma prática contra o governador Zeca do PT, de Mato Grosso do Sul. "Não podemos aceitar esse tipo de condução política, que tanto condenamos", afirmou ela.


