Diretório do PT ameniza tom das propostas
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sábado, 27 de fevereiro de 1999
por Silvio Bressan 
RIO, 28 (AE) - Desarmado pelos resultados positivos da reunião do presidente Fernando Henrique com os governadores, na sexta-feira, o Diretório Nacional do PT resolveu amenizar o tom das propostas que serão defendidas pelo partido neste ano. Embora mantenha todas as críticas à política econômica do governo, o diretório rejeitou, durante um encontro no fim de semana, em São Paulo, as propostas de abreviatura do mandato presidencial e de moratória da dívida externa.
Muito pelo contrário, ao invés de lutar pela antecipação da sucessão presidencial, o diretório aprovou uma proposta de combater medidas fora da Constituição. "Não aceitamos soluções deste tipo parlamentarismo e fujimorização", explicou o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP). Até mesmo o ex-prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, que chegou a defender a abreviatura do mandato de Fernando Henrique, votou contra uma proposta mais radical e ajudou a redigir a emenda aprovada.
"Nunca propus abreviar o mandato do presidente como estratégia do partido", alegou Genro. "Apenas fiz uma ironia, dizendo que o próprio Fernando Henrique deveria tomar essa iniciativa, uma opinião que ainda mantenho." O próprio Genro, entretanto, acha que o presidente pode se recuperar. "Nessa reunião com os governadores, aliás, ele reconquistou um pouco a legitimidade que vinha perdendo", observou o ex-prefeito.
Na emenda aprovada, o PT chama a atenção para o risco do aprofundamento da crise. "A elite dominante já busca as suas saídas conservadoras e antipopulares", alerta o texto. "Seja pela fujimorização, seja por uma emenda parlamentarista de mera conveniência conjuntural." Segundo Dirceu, a resolução foi a favor do debate público. "Queremos saídas democráticas por dentro da Constituição", explicou. "Não quer dizer que o Fernando Henrique pode fazer o que quer, como submeter o Judiciário, atropelar a Constituição ou romper com a federação." Para discutir melhor essa situação e a questão dos governadores, o diretório resolveu convocar uma reunião com governadores, vices, dirigentes e prefeitos de capitais para discutir a unificação da política partidária em relação ao governo federal e à sua política econômica. "Estamos defendendo a ruptura do acordo com o FMI, o reescalonamento da dívida e a centralização do câmbio", afirmou o deputado federal Aloizio Mercadante (SP).
Na questão dos governadores, a grande preocupação do partido é não deixar isolado o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), único a não participar da reunião de sexta-feira. "Não podemos deixar o Itamar ficar isolado", admitiu Dirceu. Por isso, foi aprovada uma resolução de apoio à Itamar na forma de uma "carta aos mineiros". Neste documento, o partido critica a atitude do presidente, com o "estrangulamento financeiro dos Estados e municípios" e as "chantagens e retaliações que vem sendo feitas com Rio Grande do Sul e Minas Gerais" No final, a carta diz que "Itamar tem legitimidade para tomar as medidas que seu governo entender cabíveis no interesse do seu Estado".
Em nenhum momento, porém, o documento fala na reunião do presidente com os governadores, que foi criticada pelo governador mineiro. "Essa resolução não quer dizer que vamos apoiar o Itamar em qualquer coisa", esclareceu Dirceu.
Na sua avaliação, o encontro foi mesmo positivo para os governadores e o presidente Fernando Henrique. "Para o governo também foi bom, na medida em que o presidente estava acumulando muitos impasses", reconheceu. Por essa razão, Dirceu entende que é preciso reforçar a posição de Itamar. "É uma ilusão do governo achar que Itamar ficará só", acha Dirceu. "Uma coisa é não concordar, outra coisa permitir que o governo federal isole e derrote o Itamar."


