Washington, 13 (AE) - Em princípio, o programa econômico da Rússia deverá ser examinado pela diretoria executiva do Fundo Monetário Internacional no próximo dia 28, na mesma reunião em que será discutida a terceira revisão do programa brasileiro, concluída há duas semanas. Até lá, no entanto, o FMI quer ver concluídas duas auditorias que encomendou à PriceWaterhouse Coopers sobre o alegado desvio de uma parte do dinheiro que a instituição emprestou à Russia para esquemas de corrupção envolvendo a administração das reservas do país por seu Banco Central.
"Há pré-requisitos para que a diretoria executiva considere o programa russo e esse é um deles", disse um porta-voz, sem entrar em detalhes. Ao mesmo tempo, o funcionário admitiu que "a situação é delicada", pois o desembolso de US$ 4,8 bilhões pedido por Moscou, em parcelas trimestrais ao longo dos próximos 17 meses, servirá para pagar um empréstimo anterior do próprio Fundo.
O primeiro-ministro Sergei Stepashin e o presidente do BC russo, Viktor Gerashchenko, formalizaram hoje(13) o pedido do novo crédito ao assinar a carta de intenções que compromete politicamente o governo com os objetivos do programa. O memorando técnico, com os detalhes do programa, já havia sido encaminhado à sede do FMI, em Washington. De acordo com Mikhail Zadornov, o alto funcionário russo que negociou com o FMI, o documento assinado hoje "é o mesmo acordado com o governo do ex-primeiro-ministro Yuygeny Primakov , em abril".
Moscou espera receber US$ 1,9 bilhões do Fundo ainda este ano. O apoio da instituição é essencial para a rolagem de US$ 69 bilhões em empréstimos externas que a Rússia herdou da antiga União Soviética. Uma moratória parcial da Rússia sobre parte da dívida externa mais recente reacendeu a crise financeira internacional, em agosto do ano passado, e acabou forçando o Brasil a mudar seu regime cambial e flutuar a moeda, em janeiro deste ano. Segudo Zadornov, o programa que a Rússia negociou com o FMI prevê um aperto na política monetária, moeda flutuante e o fortalecimento das reservas em divisas e em ouro do país até o fim do ano.
O novo primeiro-ministro do país telefonou hoje para o vice-presidente Albert Gore para informá-lo sobre a assinatura da carta de intenções e pedir-lhe o apoio dos EUA na reunião da diretoria executiva do FMI. Stepashin deverá renovar o pedido de apoio num encontro que tem marcado com Gore, em Washington, antes do fim do mês.

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