Diretoria demitida não se pronuncia; ações do Banespa caem
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 23 (AE) - Os diretores do Banespa decidiram não se pronunciar sobre a demissão coletiva decretada pelo Ministério da Fazenda. Na parte da manhã de hoje chegaram a circular informações sobre a divulgação de nota oficial dos diretores, explicando a decisão de recorrer judicialmente contra o pagamento da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
A decisão levou à demissão de todos os integrantes do colegiado que administra o banco, que foi comunicada pelo diretor responsável pela área de Reestruturação de Bancos Estaduais, Paolo Zaghen, na noite de terça-feira. Os diretores se reuniram hoje por duas horas, na sede do banco, com os gerentes e chefias de departamentos, para explicar a situação e os desdobramentos daqui para frente. O grupo fica no banco até a posse dos novos integrantes, que ainda não foram escolhidos.
Na abertura do pregão de hoje, as ações do banco paulista já eram negociadas em queda de 1,35%, que se acentuou durante o dia. No fechamento, as ações preferenciais eram contadas a R$ 78,95, o que representa uma desvalorização de 2 51% em relação ao dia anterior. Os papéis estiveram entre os dez mais negociados.
Desde segunda-feira, o mercado financeiro se perguntava por que a diretoria teria optado pelas vias judiciais para resolver a questão, já que o controlador do banco é a própria União. Segundo fonte próxima à diretoria, os responsáveis pelo comando do banco teriam se antecipado à ação dos acionistas minoritários, que recorreriam ao Judiciário contra o pagamento do tributo, retardando ainda mais a privatização do banco prevista para outubro ou novembro deste ano. O banco possui 110 mil acionistas no total.
Desde que o governo paulista conseguiu renegociar com a União a dívida do estado (de mais de R$ 50 bilhões), no fim de 1997, que o governo federal vem tentando privatizar o banco. Várias liminares já interromperam o processo e a mais recente delas foi cassada há cerca de duas semanas.
Não é difícil imaginar que a CPMF seria um motivo perfeito para uma nova onda da liminares, postergando a polêmica venda do banco, disse a fonte.
Para Bruno Zaremba, especialista da área bancária do banco Pactual, a queda de hoje das ações reflete a expectativa de um novo adiamento do leilão de venda do Banespa. "O desempenho das ações é praticamente determinado pela perspectiva de privatização do banco, por isso qualquer notícia que possa implicar retardamento no processo tem impacto negativo nos preços", disse.
Na sua opinião, o governo deveria publicar o mais rapidamente o edital de pré-qualificação o que seria um sinal positivo de que a privatização caminha para ocorrer na data prevista. Mas considera impossível isso ocorrer antes da posse da nova diretoria.
Zaremba entende que a decisão de recorrer legalmente contra o pagamento da CPMF preservou o banco - aliás a atual diretoria sempre teve como prioridade preservar o caixa do banco - e, consequentemente, seus acionistas. "Mas as implicações políticas são muito maiores do que os benefícios que poderiam ter", ponderou. Foi um erro de avaliação.


