Diretores do BC propuseram vendas de dólar no mercado futuro
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Ribamar Oliveira 
Brasília, 16 (AE) - Foram os diretores de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Demósthenes Madureira Pinho, e de Fiscalização, Cláudio Mauch, que submeteram um voto à diretoria da instituição, com a proposta para serem feitas vendas de dólar no mercado futuro da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), com o objetivo de permitir a liquidação de posições vendidas de instituições com dificuldades financeiras em honrar os compromissos.
O voto, que recebeu o número 006/99 e o carimbo de confidencial, foi aprovado em 14 de janeiro, no mesmo dia em que foi apresentado, e não fazia referência aos Bancos Marka e FonteCindam ou a qualquer outra instituição específica.
Pinho e Mauch fazem referência, na justificativa do voto
a uma carta encaminhada ao BC pelo ex-superintendente-geral da BM&F Dorival Rodrigues Alves, em que este sugere a adoção de medidas que visem a liquidação de posições vendidas no mercado de dólar futuro e alerta para a possibilidade de uma crise sistêmica no mercado se nada fosse feito. A carta da BM&F também está datada do dia 14 de janeiro.
As cartas do presidente do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, em que pede ajuda do BC para reverter as posições vendidas no mercado futuro de dólares, está datada do dia 14 de janeiro. No relatório que encaminhou à CPI dos Bancos, o BC afirma que a decisão de vender dólares no mercado futuro para permitir que as instituições vendidas honrassem os compromissos "foi adotada quando ainda não estavam plenamente configuradas quais instituições efetivamente apresentariam dificuldades e qual o montante de contratos que teriam de ser negociados na bolsa".
Pelo menos a carta do Banco Marka chegou ao BC no mesmo dia da aprovação do voto que permitiu a venda de dólares. Os documentos encaminhados pelo BC à CPI dos Bancos informam que os donos do Banco FonteCindam entraram em contato, por telefone, com o ex-presidente em exercício da instituição Francisco Lopes e Mauch "a respeito das condições de mercado e da situação da sociedade no tocante às posições assumidas no mercado futuro de dólar na BM&F". A data desse "contato telefônico" foi o dia 14 de janeiro. A diretoria do FonteCindam, ao contrário do Banco Marka, não formalizou o pedido de ajuda por carta ou fax.
Nenhum dos documentos envidados pelo BC à CPI dos Bancos
com referência à salvação do Marka e do FonteCindam, é assinado por Lopes. As únicas referências que constam sobre a participação do ex-presidente em exercício do BC se referem a contatos telefônicos que ele teria mantido com diretores das instituições socorridas.
Um fato descrito nos documentos do BC chamou a atenção de um senador que integra a CPI dos Bancos: as operações de vendas de dólares para os Bancos Marka e FonteCindam foram registradas na BM&F em 15 de janeiro, com data retroativa a 14 de janeiro. O BC alega que "as dificuldades decorrentes da premência de tempo e dos limites de horário para registro das operações determinaram a expedição de correspondência à BM&F, em 15/01/99, comunicando o ocorrido e solicitando providência para o registro correto da operação na data em que efetivamente tinha sido realizada, o que foi feito por aquela bolsa".


