Brasília, 30 (AE) - O diretor de Crédito Geral do Banco do Brasil, Édson Soares Ferreira, e o diretor de Recursos Humanos, João Batista Camargo, vão deixar seus cargos. Hoje o presidente do BB, Andrea Calabi, admitiu as substituições na diretoria do banco, mas desmentiu qualquer vinculação entre as mudanças e os empréstimos concedidos para a Encol, que ainda estão sob investigação. As operações com a construtora, recentemente submetida à falência, resultaram num prejuízo de R$ 200 milhões ao BB.
Para o lugar de Camargo, Calabi indicará um funcionário de carreira do banco. Para o lugar de Édson Ferreira foi convidado o atual secretário executivo do Ministério do Planejamento, Martus Tavares, que ainda não aceitou o convite. As substituições ainda estão sem data prevista. "Apenas indicarei os novos nomes para o Conselho de Administração", afirmou Calabi, esclarecendo que os atuais diretores continuarão trabalhando normalmente até a substituição.
De acordo com Calabi as substituições já estavam previstas desde que ele assumiu o BB. "Trata-se de um ato de gestão", assegurou. O presidente do BB lamentou que pessoas honestas, que se dedicaram ao banco por mais de 30 anos, venham sendo "queimadas". "O ponto comum entre a auditoria interna e a investigação feita pelo Conselho Fiscal é que não existiu dolo ou má fé com relação à Encol", afirmou.
O presidente do BB fez questão de defender Édson Ferreira, diretor de Crédito Geral, responsável por várias autorizações de rolagem de dívida com a Encol a partir de 1995. "O Édson é uma pessoa correta e de rara competência", disse. De acordo com Calabi a maioria das operações com a Encol foram realizadas até 1992, época em que nenhum dos atuais diretores respondiam pelo cargo. A partir de 1995, segundo Calabi, as operações foram de rolagem de dívida, realizadas sempre com troca de garantia em benefício do banco e que resultaram no recebimento de um percentual importante da dívida.
Segundo Calabi a diretoria só não aprovou o arquivamento do processo, sugerido pela Comissão de Ética, relativo aos diretores, para não deixar qualquer margem de dúvida na atuação do BB. No caso Encol foram ouvidos, além de Édson Ferreira, o diretor de finanças do BB, Carlos Gilberto Caetano, que permanecerá no cargo. Para Calabi o Banco do Brasil não errou com relação à Encol. Ele lembrou que durante anos a construtora foi uma ótima cliente do banco. Na sua opinião o que causou a quebra da Encol foi a "voracidade empresarial". Ele afirmou que a construtora cometeu um erro estratégico ao querer crescer demais, passando a financiar as obras em construção com os novos lançamentos.
Privatização - Calabi garantiu também que o BB Securities, o braço internacional do Banco do Brasil, não será privatizado. De acordo com ele a decisão foi tomada com base na consultoria contratada pelo próprio Banco do Brasil, para fazer a modelagem e a avaliação do BB DTVM e do BB Securities. "O BB Securities tem uma importância estratégica para o Banco do Brasil e não pode ser privatizado", afirmou.
Com relação ao BB DTVM, Calabi afirmou que a venda também está suspensa até que o Comitê de Coordenação Gerencial das Instituições Financeiras Públicas Federais (Comif) defina o desenho dos bancos federais para os próximos anos. "Se o desenho for pela privatização do BB num horizonte de cinco ou 10 anos, não tem sentido vender o BB DTVM antes", disse Calabi, explicando que isso depreciaria o preço do banco. Para o presidente do BB a função que o banco ainda exerce é essencial para o governo, não podendo ser substituída pela iniciativa privada.

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