Curitiba - As Promotorias de Investigação Criminal (PIC) de Cascavel, Londrina e Foz do Iguaçu e a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) prenderam ontem seis pessoas suspeitas de participação em um esquema de corrupção no Instituto de Criminalística (IC) em Cascavel e Guarapuava. Entre os detidos, estão Ari Ferreira Fontana, diretor geral do IC do Paraná, e Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, chefe da Divisão Técnica do Interior do instituto.
  Ambos foram detidos em Curitiba. Em Cascavel, foram presos três peritos criminais. Em Guarapuava, foi detida uma estagiária na Seção Técnica do IC no município, que trabalharia ilegalmente no local. Todos tiveram prisão temporária decretada pela Justiça. Segundo o MP, um ex-funcionário da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Cascavel que também teve prisão requerida estava foragido até a tarde de ontem.
  De acordo com o Ministério Público (MP), os detidos integravam um esquema no qual laudos periciais falsos eram confeccionados. O objetivo seria ‘‘esquentar’’ veículos furtados ou roubados e extorquir dinheiro de proprietários de veículos retidos em Cascavel para realização de perícias que não precisavam ser feitas. Segundo a Sesp, no IC de Guarapuava a estagiária apontaria perícias ‘‘lucrativas’’ para o esquema.
  A investigação da PIC de Cascavel teve início há dois anos. Os suspeitos poderão ser indiciados por crimes de concussão (extorsão feita por funcionário público), corrupção passiva, falsas perícias, peculato (desvio de dinheiro ou bem por funcionário público), prevaricação e formação de quadrilha. A Sesp anunciou intervenção administrativa no IC.
  Na ação, também foi preso em flagrante um médico da Prefeitura de Francisco Beltrão, que seria funcionário ‘‘fantasma’’ do IC de Cascavel. O médico não cumpre expediente em Cascavel e há suspeita de que repassaria parte do seu salário para peritos. Ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma em Barracão (90 km a oeste de Francisco Beltrão), quando seria notificado para prestar depoimento.
  O advogado Cláudio Dalledone Júnior, representante de Fontana e de Oliveira Filho, afirmou que seus clientes serão ouvidos hoje pela promotoria e que depois disso ele pedirá a revogação das prisões. ‘‘O parecer que posso dar por hora é que as colocações do decreto (de prisão temporária) são frágeis e não vão suportar o menor contraditório’’, explicou o advogado.
  O músico André Luiz Gonçalves de Oliveira, 32 anos, filho de Geraldo de Oliveira Filho, disse que a prisão do pai foi uma ‘‘surpresa fora do normal’’. ‘‘O momento financeiro da família é desesperador. Várias vezes ele pagou diárias do próprio bolso. Essa história de propina é absurda. Meu pai tem 30 anos como policial e sempre teve a vida dele aberta’’, alegou.
  André Luiz disse que a prisão está cercada de irregularidades como, por exemplo, a inexistência do processo no Fórum de Cascavel. ‘‘Ele sempre combateu esses crimes, mas foi preso e até agora não houve apresentação de prova nenhuma’’, cobrou. (Colaborou Fernando Rocha Faro)

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