Diretora responsabiliza presidência do Hemope por omissão de informação
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 25 (AE) - A ex-presidente da Fundação Hemope, Cristina Carrazone, e o ex-vice-presidente do órgão, Luiz Cláudio Arraes , foram apontados hoje pela diretora de Processamento de Hemoderivados do Hemope, Cândida Cairutas, como os únicos responsáveis pela não comunicação sobre os lotes de plasma contaminado à Vigilância Sanitária estadual e federal. Cândida fez a acusação em depoimento à comissão de inquérito administrativo instalada pela Secretaria estadual de Saúde de Pernambuco.
Em depoimentos, ontem, Cristina e Arraes disseram que a atribuição, conforme o estatuto interno do órgão, era da diretora de Processamento de Hemoderivados. Cairutas, que ocupava o cargo na administração passada, foi mantida na função. "É uma insensatez e uma infantilidade dizer que isso consta do estatuto", afirmou a diretora. Com o documento na mão, ela assegurou que a sua função é puramente técnica e a parte administrativa cabe unicamente à presidência, o que é confirmado pelo estatuto.
"Sou uma técnica farmacêutica e minha responsabilidade é trabalhar com um plasma bom e produzir albumina de qualidade"
disse. "Minha parte eu fiz e ao constatar a reação dos testes de lotes de plasma ao HIV e a Hepatite A e C, em 97 e 98, avisei oficialmente a presidência e comuniquei o fato aos hemocentros que forneceram o produto para que tomassem as providências".
O Hemope recebe plasma de 23 hemocentros brasileiros para a produção de albumina humana. Em 1997 e 1998, um reteste feito pelo Hemope revelou que nove lotes de plasma tiveram reação ao vírus do HIV e hepatite. O plasma sob suspeita foi destruído, mas as autoridades sanitárias não foram avisadas, como estabelece portaria do Ministério da Saúde.


