Diretora defende proibição do fumo em locais públicos
A proibição de fumar nos lugares públicos, vigente em vários países do mundo, entre os quais Tailândia, África do Sul, Austrália, Canadá e França, privilegia o direito das pessoas à saúde e ajuda a fazer do tabagismo a
exceção e não a regra, afirmou ontem a diretora-geral da OMS, Gro Harlem Brundtland, em uma reunião organizada em Genebra, sede da organização.
As companhias de cigarros, segundo observou, farão todo o possível para impedir que se leve a sério o tabagismo passivo. Os grandes industriais do tabaco gastaram milhões de dólares para tentar convencer os diretores das empresas e os governos que uma melhor ventilação e a simples cortesia solucionariam o problema do tabagismo passivo, afirmou Harlem Brudtland.
Ela insistiu que as pessoas devem defender o direito à saúde e à vida. Não temos de ser tolerantes quando se trata de má saúde, de doença e de morte, afirmou.
Segundo a OMS, o tabaco mata todos os anos quatro milhões de pessoas. A organização estima em 700 milhões o número de pessoas expostas ao tabagismo passivo, entre elas crianças.
Os 191 países membros da OMS participam desde outubro passado de negociações destinadas a elaborar um projeto de convenção internacional que regulamente a utilização do tabaco. Nova rodada de discussões deve ocorrer em novembro.
Em todo o mundo, o Dia Sem Fumo, lembrado ontem, teve uma repercussão limitada. Em Cingapura, os vendedores de cigarros decidiram suspender por um dia a venda do produto. Na China, o maior consumidor mundial com 320 milhões de fumantes, ignorou a data.
Na contramão das campanhas antitabagistas, a cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul relançou, na última terça-feira, a Festa Nacional do Fumo, que voltará a ser realizada em 2002, após 24 anos de extinção. Queremos mostrar ao Brasil que o tabaco também traz benefícios, disse ontem o prefeito Sérgio Moraes (PTB), referindo-se aos ganhos econômicos gerados pela indústria do fumo. Da arrecadação do município, que é de R$ 74 milhões, 65% vêm do fumo, declarou ele. (France Presse e Agência Folha)





