Diretora da OMS sugere incentivo para genéricos
Agência Estado
De Brasília
A diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Gro Harlem Brundtland, sugeriu ontem que o governo dê incentivos econômicos para a produção de genéricos e amplie este mercado, de modo a reduzir preços. Em depoimento à CPI dos Medicamentos, Gro ressaltou a importância de a legislação proteger os genéricos e de o governo garantir a qualidade destes remédios, para que sejam aceitos pela população.
A competição no mercado com a entrada de produtos genéricos pode reduzir em até dois terços o preço ao consumidor, informou Gro. Nos Estados Unidos, os genéricos já atendem a quase 50% do mercado e, no Reino Unido, representam 65%. Gro não fez críticas diretas, mas insinuou que a legislação brasileira é um tanto rígida quanto à exigência do exame de bioequivalência (que comprova a qualidade da cópia em relação ao medicamento original). Não há necessidade de usar o teste em todos os casos, afirmou, sugerindo maior agilidade na concessão de registros.
Questionada sobre os altos preços de insumos importados para a fabricação de remédios, Gro sugeriu que esses valores sejam divulgados. A transparência é a chave; a disseminação do conhecimento torna difícil manter preços altos, acredita a diretora-geral da OMS. Ela lembrou, também, o fato de os deputados terem instrumentos para fazer legislação com alguma forma de controle dos preços dos remédios.
Para o presidente da CPI, deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), é preciso uma nova lei permitindo a ação rápida para proteger o consumidor de abusos. De acordo com Marchezan, o ideal não é o controle tradicional, pelo tabelamento, mas a adoção de medidas paralelas, como a exigência rigorosa de planilhas das indústrias, o estímulo à competição por meio dos genéricos, a publicação de listas de preços para conhecimento do consumidor e o financiamento de laboratórios públicos.
O deputado Fernando Zuppo (PDT-SP) também é contra controle. Sou favorável ao monitoramento, mas acho que já temos dispositivos suficientes para evitar abuso, afirmou Zuppo. Basta o governo querer aplicá-los. A diretora-geral da OMS lembra que o acesso ao medicamentos é um dos indicadores de equidade social. O relatório que a organização divulgará, revela que 10,3 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram em países em desenvolvimento no ano passado, a maioria vítima de doenças transmissíveis, que poderiam ser evitadas se elas tivessem acesso aos remédios.
Para Gro, não são apenas cifras, mas descrições de uma desigualdade escandalosa. Segundo ela, o serviço de saúde de um País não pode responder às necessidades da população a não ser que permita às pessoas acesso aos medicamentos essenciais.





