São Paulo, 14 (AE) - O futuro da mídia será uma revolução que, a princípio, garantirá ao cidadão uma melhor qualidade de programas televisivos e mais informações veiculadas por grandes empresas de comunicação, de acordo com Marluce Dias da Silva, diretora-geral da "Rede Globo". Na prática, Marluce explicou hoje, durante uma palestra proferida no Encontro Nacional dos Anunciantes em São Paulo, que essa transformação ocorrerá em três fases diferentes, as chamadas revoluções tecnológicas, político-econômico e social-individual.
Na questão tecnológica, a diretora geral da "Rede Globo" informou que está apostando na televisão digital de alta definição - um produto conhecido, porém pouco distribuído por causa do alto custo, que chega a ser até cinco vezes mais que os aparelhos tradicionais. Essa televisão digital tem uma tela horizontal maior, dando uma abrangência visual melhor, além de uma qualidade de som superior ao dos aparelhos atuais. "Estamos apostando nessa tecnologia", informou Marluce, acrescentando que o Brasil não está preparado para produzir essa tecnologia. Essa revolução provocará a convergência das mídias. "Esses meios, juntos, irão fortalecer-se e complementar-se", considerou.
Já no âmbito político-econômico, Marluce indicou o crescimento das mega-corporações criadas a partir de associações de empresas. "O Brasil está longe de ter uma mega-corporação compatível com a dos demais países", disse. A maior corporação, de acordo com dados de 97, a "Time Warner", movimenta US$ 24,6 bilhões, enquanto a maior da América Latina, a "Rede Globo", acumula US$ 5,4 bilhões.
Ela ressaltou que a maior parte dessas empresas, como a Disney (a segunda maior do mercado, com uma renda de US$ 22,5 bilhões, cresceu o dobro fora de seu país de origem. De acordo com Marluce, a nossa cultura - que assemelha-se à ocidental - cria uma oportunidade grande de investimento estrangeiro nesse setor. "Não podemos deixar a oportunidade de deixar o capital estrangeiro entrar no País", afirmou.
"Ou essa chance poderá virar uma ameaça." Segundo ela, os brasileiros seriam "ingênuos" se não percebessem as vantagens que esse investimento trará ao País. Ela lembrou, no entanto, que o País não tem uma legislação adequada que permita a entrada em massa de capital no setor.
A entrada do capital estrangeiro, no entanto, cria um risco, que ela categorizou como sendo a terceira revolução do futuro: a social e individual. A programação estrangeira, que entrará no País junto com o investimento, não tem a mesma cultura que a produção nacional. "Fico orgulhosa de saber que 98% a 100% da programação apresentada em horário nobre no Brasil é de produção nacional." Para Marluce, essa programação garante uma identidade nacional.

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