Diretor técnico da construtora será indiciado
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segunda-feira, 09 de março de 1998
Agência Estado 
O delegado Carlos Alberto Nunes Pinto, da 16ª Delegacia Policial (DP), vai indiciar o diretor técnico da Sersan, engenheiro Sérgio Murilo Domingues, no inquérito que apura a responsabilidade pelo desabamento do edifício Palace II. O policial não poderá fazer o mesmo com o dono da construtora, o deputado federal Sérgio Naya (sem partido/MG), que tem imunidade parlamentar. Para o indiciamento o delegado espera apenas o resultado do laudo do Instituto Criminalística Carlos Éboli (ICCE) sobre as causas da tragédia.
Caso o laudo indique que o prédio caiu por causa do material de má qualidade usado na construção, Domingues será indiciado por homícidio doloso (intencional) e pode ser condenado a até 20 anos de prisão. Caso o documento aponte para defeitos nos cálculos feitos para a construção do prédio, o engenheiro será indiciado por homícidio culposo (sem intenção). A pena, neste caso, não passa de três anos de reclusão. Peritos disseram na sexta-feira que havia falhas na execução do prédio.
Embora o laudo ainda não esteja concluído, os peritos verificaram, em avaliação preliminar, que havia pilares ocos na edificação, uma das falhas que vão constar do relatório final do instituto. O delegado contou que os peritos do ICCE ainda não conseguiram chegar ao pilar que provocou o primeiro desabamento para colher material do concreto.
O engenheiro Domingues foi indiciado semana passada por homicípio culposo, em outro inquérito que investiga a morte de Paulo Pereira Ramos, funcionário do Palace II que morreu esmagado por um elevador em outubro de 1996. Segundo o delegado, ele contratou Ramos mesmo sabendo que ele não era qualificado para operar o elevador.


