Londrina – O diretor geral da Polícia Científica, Hemerson Bertassoni Alves, afirmou que pretende contratar médicos legistas e auxiliares de perícia e de necrópsia para o Instituto Médico-legal até junho deste ano. A afirmação foi feita durante audiência da Comissão de Direitos Humanos e Defesa da Cidadania realizada na tarde de ontem na Câmara de Vereadores de Londrina para debater a precariedade no IML de Londrina. Alves ressaltou que a contratação deve ser feita obrigatoriamente até esta data porque é quando vence o Processo Seletivo Simplificado que foi realizado em 2013.
Ele destacou que está prevista para Londrina a contratação de cinco médicos legistas, três auxiliares de necrópsia e cinco auxiliares de perícia. "Posteriormente nós iremos abrir um novo concurso para a contratação de 90 médicos legistas e 148 peritos criminais para atuar em todo o Estado", projetou. O diretor reforçou que o novo concurso está em fase de licitação e que a perspectiva é de que entre outubro e setembro o edital seja publicado. "Esses novos concursados devem assumir os seus postos em 2016", garantiu.
Bertassoni Alves explicou que a Lei Estadual 18.008/2014, que criou a Polícia Científica, previu que a nova força policial do Estado deveria possuir 1.028 vagas. "No momento, temos apenas 352 peritos, mas não há como contratar o pessoal para preencher as 1.028 vagas porque são vagas escalonadas e isso depende de tempo de serviço. Um servidor para chegar ao topo da hierarquia leva 22 anos", destacou.
A presidente da Comissão de Direitos Humanos e Defesa da Cidadania, Lenir de Assis (PT), destacou que a luta por melhores condições do IML é antiga. Ela destacou que o terreno para a construção da nova sede na Avenida Dez de Dezembro foi doado em 1997 e a doação para a construção da nova sede do Instituto de Criminalística é de 2010, indicando que houve tempo suficiente para que as duas obras fossem realizadas. Lenir apontou que nesse período, apesar de todos os pedidos para que fossem tomadas providências, a situação ficou cada vez mais degradada. "Existem médicos legistas fazendo turnos de 36 horas", apontou. A vereadora exemplificou também com a demora na liberação do corpo do ex-assessor da Câmara, Salvador Francisco, que foi encontrado morto no dia 20 de abril e teve seu corpo liberado mais de 12 horas depois. Ela recebeu como resposta do diretor geral do IML no Estado, Carlos Alberto Peixoto Baptista, que foi uma "infeliz coincidência" de troca de turnos.
Sobre o atual quadro de falta de estrutura, pessoal e atrasos na conclusão da obra da nova sede, Hemerson Bertassoni Alves afirmou que está há apenas 45 dias na nova função e que as pessoas deveriam esquecer o passado e focar apenas no futuro. "Não posso corroborar com o que houve daqui para trás. Estamos conversando sobre o que pode existir no futuro", argumentou. A vereadora Elza Correia (PMDB) apontou que não são apenas 45 dias dessa direção, mas são 1610 dias do atual governo Beto Richa, que segundo ela não fez nada para melhorar as condições precárias. Alves garantiu que as obras terão continuidade e que estão com recursos previstos no orçamento.

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