Diretor-geral da PF toma posse amanhã ao lado de militantes dos direitos humanos
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 23 (AE) - O novo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Agilio Monteiro Filho, superintendente da corporação em Minas Gerais, toma posse amanhã (25), com a presença de militantes dos direitos humanos, como o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara. Monteiro filho assume numa situação diferente da do antecessor, o delegado João Batista Campelo, que ficou no cargo apenas três dias, depois de ser acusado de comandar sessão de torturas no Maranhão. "Ele é direito e não tem nada que o desabone", diz Miranda.
Quando escolheu Monteiro Filho para o cargo, o governo não imaginava que a repercussão seria tão boa. Nem mesmo sabiam que no currículo dele haviam fatos que o fizeram ganhar a simpatia da esquerda. O delegado teve passagem pela Delegacia de Ordem Política e Social (Dops) em Minas Gerais, mas não existe nenhum caso que pudesse ser denunciado por extrapolar os direitos humanos. Ao contrário, a esquerda só lembra de um inquérito onde Monteiro Filho atuou, durante o regime militar, quando denunciou vários fazendeiros por genocídio.
"Em pleno regime militar, ele conseguiu incriminar os fazendeiros pela morte de cinco índios", lembra Miranda. "Além desse caso, há outros em que ele trabalhou e não extrapolou sua função pública", acrescenta o deputado, assegurando estar na posse do delegado. "Se ele não tem nada que o desabone, terá nosso total apoio", acrescenta o líder do PT na Câmara, José Genoino (SP).
A diferença entre a posse de Monteiro Filho e a do antecessor está também na distribuição dos convites. Desta vez, ao contrário do que aconteceu com Campelo, o Ministério da Justiça chamou as autoridades para a solenidade. O novo diretor da PF levará alguns convites para os familiares e amigos em Belo Horizonte. Os colegas da PF em Brasília foram chamados para a cerimônia verbalmentes.
Monteiro, segundo assessores da direção da PF, poderá ocupar os principais cargos da instituição com nomes da confiança dele. "É provável, e seria justo, que todos sejam de Minas Gerais", afirma um delegado lotado na sede da PF. Segundo ele, o procedimento está sendo encarado como normal dentro da instituição, onde não houve nenhuma restrição à indicação, feita pelo Palácio do Planalto depois de avaliar diversos outros nomes.
Depois da posse, Monteiro Filho vai reunir-se com todos os superintendentes da PF e, possivelmente, irá expor o programa de trabalho. No dia seguinte, irá a uma solenidade de incineração de drogas em Mato Grosso do Sul, junto com o secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovich.


