Brasília, 26 (AE) - Dez dias após as denúncias de que estaria ligado ao esquema que privilegiou a máfia italiana no governo, concedendo licenças para bingos eletrônicos e alterando portarias, o diretor de Administração e Finanças do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp), Luiz Antônio Buffara de Freitas, pediu hoje exoneração do cargo. O pedido chegou ao Indesp um dia antes do depoimento de Buffara no Congresso, marcado para amanhã (27).
Na carta que enviou ao atual presidente do Indesp, Augusto Viveiros, escrita à mão, Buffara diz que redigiu o documento dentro da Santa Casa de Curitiba, onde estaria internado. O ex-diretor diz que tem esclerose múltipla e o estresse que vem sofrendo nos últimos meses agravou seu estado de saúde. Buffara não faz referência direta às acusações de que estaria ligado à máfia italiana, mas diz que a decisão preliminar de um juiz federal que não pediu seu afastamento "tranquilizou" seu espírito.
Na carta, Buffara agradece a "dedicação" dos funcionários que o apoiaram no Indesp e se mostra feliz por ter concluído a transferência da administração dos bingos para a Caixa Econômica Federal (CEF). Para o Ministério Público, no entanto, o pedido de demissão de Buffara "só levanta mais suspeitas" sobre a ligação de funcionários do Indesp com a máfia italiana.
Os procuradores que movem ação contra o instituto já tinham alertado, na semana passada, que Buffara poderia usar algum artifício para escapar do depoimento que prestaria ao Congresso amanhã, onde seria realizada uma acareação com o ex-presidente do Indesp, Manoel Tubino. Sem anteparo - Na avaliação de políticos ligados ao PFL, partido de Greca, dependendo do depoimento de Tubino, a situação do ministro poderá se complicar. Buffara, até agora, enfrentava sozinho as acusações sobre a atuação do Indesp. O temor é de que o Congresso, diante das acusações que Tubino possa fazer, tenha de convocar Greca. O ex-presidente do Indesp, inclusive, já havia feito diversas acusações ao ministro quando se demitiu, há quase um mês, em carta divulgada para a imprensa. Anulação - O Ministério Público vai entrar com pedido de anulação de todos os contratos que o Indesp fechou com os Estados para controle de bingos. Os procuradores pretendem ainda fechar todos os bingos que ainda operam máquinas eletrônicas programadas, entre elas videobingos e caça-níqueis, proibidas por um decreto presidencial. Reação - O procurador Luiz Francisco de Souza disse ter ficado feliz com a demissão de Buffara. O procurador tinha pedido o afastamento de Buffara à Justiça Federal, que negou liminar nesse sentido. Ele disse que vai continuar investigando as ligações do Indesp com a máfia.

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