Diretor do IC é mantido refém durante 18 horas junto com a mulher e dois sobrinhos em PE13/Mar, 18:30 Por Lúcia Maria Dias, especial para a AE Recife, 13 (AE) - Um grupo de sequestradores manteve em cativeiro por 18 horas o diretor do Instituto de Criminalística (IC) de Pernambuco, Paulo Tadeu Clemente de Vasconcelos, sua esposa Maria Verônica de Lima e Silva, e dois sobrinhos do casal Carla Cecília Serpa, de dez anos, e Carlos Alberto Júnior, de oito. Depois de várias horas de negociação, os reféns foram liberados, hoje à tarde, após o pagamento de resgate de R$ 8 mil numa mata a quase duas horas de caminho a pé da rodovia 80, que liga Escada a Vitória de Santo Antão, a 60 quilômetros de Recife. O casal e seus sobrinhos foram abordados em frente ao prédio onde moram as crianças, na zona Sul de Recife, por dois homens armados, e conduzidos para uma mata no engenho Sibéria, em Escada. Lá, os dois homens se encontraram com outros dois; levaram o grupo para fora da cidade e desligaram os celulares. Os sequestradores não fizeram nenhum contato com a família do policial e, até meia-noite, tentaram conseguir cheques para serem sacados na manhã seguinte. "A situação ficou terrível quando descobriram que sou policial, me espancaram. Expliquei que trabalho com a investigação científica e não com caça a bandidos". Momentos ainda mais difíceis ocorreram pela manhã, quando dois dos homens tentaram sacar os cheques de Vasconncelos e da esposa em agências do Bandepe e do Banco Real. A polícia do Estado, já mobilizada, instruiu os bancos a bloquearem o saque dos cheques, deixando os sequestradores impacientes. "Eles voltaram para a mata, nos colocaram no chão e disseram que nos matariam a todos", contou. De acordo com o delegado da Polícia Civil Romero Leal, esta é uma nova modalidade nos sequestros registrados no Estado. "O tempo de cativeiro é incomum para o que se classifica como o sequestro-relâmpago, em que a vítima é imediatamente liberada após tomado o seu dinheiro, mas nesse caso vemos características peculiares", observou. Para Vasconcelos, o comportamento dos sequestradores revelava a intenção de tomar, o mais rápido possível, todo o dinheiro das vítimas. Pensando nisso, ele propôs novas vias de negociação, sugerindo que a família fosse acionada para o pagamento de resgate. A tática funcionou. Em contato com o cunhado de Vasconcelos, os sequestradores combinaram o valor do resgate em R$ 8 mil, liberando as vítimas em plena mata, depois de receberem o dinheiro, nas proximidades da Escola Agrícola de Escada.

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